Teosofia Prática – Da Vontade própria


  1. Mas, atualmente, tu estás numa forma de Anticristo, e tu odeias a Luz, porque as tuas obras são más.

    É a tua própria Vontade irascível, criatural, que te faz perverso e condenável, e não é Deus;

    é ela que te faz caminhar e agir segundo as suas leis, que te torna desobediente ao Espírito de Deus, e que te impede de seres o noivo da celeste Sofia.
  2. Mas que faz de ti um humanimal pessoal, que vive segundo o teu prazer e as tuas comodidades da vida carnal exterior, sem cruz nem oposição, que não chama nada por Cristo, que não sente nem fome nem sede pela presença celeste, e que corre sem cessar atrás das honras e da fortuna.

[ Anterior ] [ Índice ] [ Anterior ]


Início » Textos » Prática » Ser humano natural » Da Vontade própria

Teosofia Prática – Da alma de Fogo


  1. Os sinais dos planetas representam a roda da Natureza exterior, o corpo Sidérico que se enrola nele próprio, mesmo até dentro do sol.

    Em volta do sol, há uma serpente, que é o Diabo no Spirutus Mundi, o qual se insinua na nossa forma de vida terrestre, até ao sol. 1
  2. O círculo ou Globo que está em volta do sol representa o mundo da Luz que está escondido.
  3. E o Globo escuro desenhado por baixo, indica a alma de Fogo ou a Cólera de Deus. 2
  4. Se esse Globo estivesse iluminado pelo fogo do Amor divino, e se ele produzisse uma luz clara no mais profundo do coração, a velha serpente, Satanás, seria precipitado na Treva.
  5. E tu serias um ser humano angélico regenerado, um filho da Luz que combateria a carne e o sangue, o Diabo e o mundo, que crucificaria a vontade própria com todas as suas obras, e que seguiria Cristo na sua regeneração.

Notas
  1. Na Figura 1. [ ]
  2. Na Figura 2. [ ]

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Ser humano natural » Da alma de Fogo

Teosofia Prática – Do Fogo


  1. O Fogo é uma coisa muito boa, e não se pode negligenciar;

    ele dá aos seres humanos o calor, a luz para que eles possam ver nas trevas, e ele é-lhes necessário para a cozinha e para todas as formas de utilização.
  2. O Fogo divino, quando ele arde no Amor, é igualmente útil e bom, e não se pode passar sem ele, porque ele dá ao ser humano o meio de ver nas trevas, ele ajuda os milagres de Deus a se produzirem, ele dá força e poder à luz;

    e leva as coisas desde a Obscuridade até ao Ser, o que seria impossível à luz sozinha.

    Ele provoca a alegria, o contentamento e a jubilação no Céu, assim como a dor nas Trevas.
  3. Quando ele quer devorar, conservar e aniquilar tudo o que o rodeia, ele é mau;

    ele arde enquanto ele encontra Matéria para se alimentar;

    quando ele se extingue não resta mais do que carvão negro, cinzas e pó.

    Por isso, Deus criou a água que pode preservar do fogo.
  4. Igualmente, o Fogo da Cólera divina quando, saindo da sua ordenança, ele se separa da Luz, quer tornar-se próprio e absorver todo o bom;

    quando ele não é extinto, ele devora a Humidade oleosa de forma que a luz se extingue e que o fogo se torna num depósito negro, como se vê na segunda Figura.

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Ser humano natural » Do Fogo

Teosofia Prática – Da queda de Adão


  1. Mas Deus pôs a alma no corpo para o governar, e deu-lhe como ajuda a sua Virgem celeste, a sabedoria da luz de vida, a fim de que a alma possa operar e manifestar os milagres de Deus neste mundo por intermédio do Espírito exterior como Instrumento: porque os milagres de Deus estão na alma de Fogo.
  2. A Alma de Fogo separou-se da sua querida auxiliar, para ser a sua própria mestra e para fazer neste mundo, a sua vontade;

    porque ela acreditou que a força e o poder dos milagres lhe eram próprios.
  3. É isso que é propriamente a queda de Adão, ele não quis mais se multiplicar com a Virgem celeste e obedecer-lhe;

    mas ele desejou uma mulher, como os animais, quis desfrutar corporalmente dos frutos e dos prazeres terrestres.
  4. Então Deus adormeceu-o, reuniu a Matriz feminina com a Tintura de luz ou de água numa mulher e Formou, por intermédio do Spiritum Mundi, o seu corpo grosseiro com membros, tal como nós somos ainda hoje e como indica a Figura.
  5. Assim, o Espírito exterior do Mundo recebeu a regência em Adão e em Eva, na Alma de Fogo, que ele conduziu em seguida, com as mentiras da serpente e o seu desejo terrestre, até ao desfrute do fruto proibido.
  6. Nós tornamo-nos dessa forma, filhos deste mundo curvados sob o jugo do Espírito deste mundo, que nos governa pela sua fome insaciável, tão duramente quanto o Faraó governava os filho de Israel;

    de tal forma que nós perseguimos as honras, o renome, o esplendor, a voluptuosidade e a grandeza como se nós devêssemos viver eternamente neste mundo.
  7. Com isso coopera a fome insaciável das almas, vinda do abismo negro, sobre o qual está erguido o mundo;

    e ela leva as almas à luxuria brutal, aos crimes, aos roubos e a todas as perversidades, frutos cuja semente está nela, como se vê na primeira geração de Cain.
  8. O Inimigo dos seres humanos lançou o seu joio sobre o bom grão que vegeta até à colheita, época em que Deus a colhe na sua eira, enquanto que Ele ata em molhos o joio e o lança ao fogo.

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Ser humano natural » Da queda de Adão

Teosofia Prática – Do corpo animal


  1. É para expor tudo isto ao leitor com algum detalhe que eu lhe quero mostrar nas Figuras a constituição do homem triplo.
  2. A primeira Figura representa o corpo animal.

    (Porque o corpo paradisíaco está destruído e desconhecido.)

    Os sinais mostram as numerosas formas dos elementos que aí se manifestam.
  3. Entre eles, a bílis e o suco gástrico causam a Cocção estomacal, e pelo excesso ou carência de uma ou de outra substância, a Arca se corrompe e todos os tipos de doenças se declaram no corpo.
  4. Vejam a nossa miséria, em que podridão a vida está prisioneira e como a morte a rodeia por todos os lados;

    nós não sabemos se, num instante, um ou outro elemento não se vai sublevar no corpo, abafar a vida, afogá-la, ou secar o húmido radical.
  5. No entanto, nós ocupamo-nos com esse animal, nós o ornamentamos com estofos e tecidos, nós o embelezamos com jóias, pérolas, ouro e prata, nós o enchemos com todos os tipos de alimentos requintados, e nós perdemos frequentemente a nossa alma por causa dele.
  6. Quando nós atingimos esse paraíso terrestre, a morte vem dar o corpo a devorar à terra e aos vermes, e a alma ao Fogo obscuro e infernal: para muitos ela chega cedo e sem se anunciar;

    e ela não se vai embora sem grandes angústias, assim como eu o notei nos agonizantes.
  7. O Espírito de vida desse ser humano terrestre é o ar, com as suas sete Formas, terrestres e Siderais;

    a sua visão é luz do sol;

    o seu Centro é a Treva eterna, que o aprisiona se ele não consegue chegar à regeneração.
  8. Como a alimentação do ser humano está confiada ao grande Espírito sidérico do Mundo e aos elementos, estes últimos empregam-se com toda a sua força por obter a sua direção.

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Ser humano natural » Do corpo animal

Teosofia Prática – Do combate entre as sementes


  1. Também, quando Adão e Eva cometeram a infração relativa à árvores do conhecimento do bem e do mal, e que eles foram tornados com efeito brutais e diabólicos segundo o corpo e segundo a alma, o Verbo eterno encerrou-se na Matriz de Eva como recriador e regenerador, e colocou-se como adversário do Diabo na luz de vida.
  2. Desta oposição resultou a inimizade e o combate entre as sementes (Gn 3), de tal forma que de um pai e de uma mãe saem crianças de natureza, de Afeições e de inclinações muito diversas.

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Ser humano natural » Do combate entre as sementes

Teosofia Prática – Dos dois fogos


  1. A Escritura revela-nos dois tipos de Fogos: um aceso no céu;

    e um outro, estrangeiro, iluminado na Natureza terrestre e nos elementos inferiores, pela mão do ser humano.
  2. Os sacerdotes do templo exterior costumavam manter aceso este último com madeira:

    mas Deus não aceitou a oferenda deles e confundiu-os com a sua cólera. (Nm 16).
  3. Aí está uma imagem muito bela dos dois fogos espirituais que estão em nós, o fogo do Amor e o fogo da Cólera:

    aquele é o fogo sobrenatural de Deus, que desce do céu interior;

    este é o fogo natural da propriedade da criatura no corpo e na alma, excitado pela má convulsão.
  4. Eles não são mais do que um único fogo, e não se diferenciam a não ser pela dor, como se vê no fogo e na luz físicos;

    ambos são insuflados por Deus em Adão;

    e a convulsão terrestre, e os falsos desejos do primeiro ser humano, separaram-nos um do outro, assim como da divina Harmonia.
  5. Eles lutam agora entre si, no ser humano, mesmo a partir da semente dele;

    e aquele fogo que vence, rege a forma da criança no ventre da sua mãe, assim como as figuras de Caim e da Abel, de Esaú e de Jacó o explicam.
  6. Eles produzem dois tipos de seres humanos, os bons e os maus;

    e isto não acontece devido a uma ordem divina como pretende o entendimento;

    a Escritura santa ensina-nos que Deus só criou um único ser humano. (Ml 2,15 e Gn 1).

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Ser humano natural » Dos dois fogos

Teosofia Prática – Da queda de Adão


  1. Os dois Fogos (o da Cólera e o do Amor) são eternos, e insuflados pelo Eterno em Adão, cujo corpo estava na origem numa Temperatura equilibrada.
  2. Mas, como a Cólera quis ser manifesta, e tornar-se preponderante em Adão, eles combateram-se pelo consentimento deste: tal foi a sua queda e a sua separação da Matriz de água ou de luz na natureza humana;

    tal foi a corrupção do corpo paradisíaco, substituído durante um sono pelo corpo terrestre, onde residem as doenças e a morte.
  3. Notemos que no combate desta Vida tripla, Adão aspirou os três Princípios, porque ele desejava degustar e provar as qualidades deles: foi por isso que Deus desmembrou a sua vida, assim como ensina claramente Cristo (Lc 15, 12.30).
  4. A Escritura diz que todos os seres humanos vêem de uma semente de pecado;

    nós temos o mesmo modo de aparecer sobre esta terra e de desaparecer dela como os animais, com a diferença de que a alma do ser humano vem do Eterno.
  5. É por isso que nós somos eternos, e os animais são criaturas perecíveis, dos quais não fica nada mais do que a sombra.

    Mas no fim dos tempos, nós ressuscitaremos para o julgamento e a danação eterna ou para a alegria e o esplendor eternos.
  6. Visto que nós sabemos que Deus é justo e verídico, que Ele não pode mentir, abramos os olhos e não vivamos mais como animais, segundo esta carne de onde nos vem toda a nossa corrupção.

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Ser humano natural » Da queda de Adão

Teosofia Prática – Da vida de luz


  1. A terceira vida é a santa Vida de Luz;

    ela está escondida, inativa e insensível no ser humano natural, o seu Fogo é o do Amor divino onde arde a vontade do Regenerado.
  2. Isto parte também do Fogo do coração;

    mas num grau mais profundo, como se verá no capítulo seguinte. 1
  3. O seu alimento é a celebre presença, a carne e o sangue de Cristo;

    e as sua potências no corpo novo são o amor humilde, a suavidade, a justiça, a verdade, etc.

    Ela gera também as sete Formas espirituais, mas na humilhação e na humildade.
  4. A sua ação, o seu movimento é o Espírito Santo, produtor da alegria celeste;

    porque ele dá, ao Fogo da alma, a água suave da Vida eterna, para se refrescar e fazer da Angústia uma Jubilação.
  5. Este Espírito dá os raios da sua Tintura à vida sensível externa e retém, em baixo e em cima, as influências venenosas da constelação e do Diabo. 2

Notas
  1. A "Vida de luz" tem também o seu Centro no coração, mas na maior profundamente dentro do coração. Este Centro está representado na Figura 3 por uma esfera no coração com a palavra «Jesus». [ ]
  2. A Tintura está representada na Figura 0 pelo Número 9. [ ]

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Ser humano natural » Da vida da alma

Teosofia Prática – Da vida da alma


  1. A Vida da alma sai do Fogo eterno interior, que tem também o seu Centro no coração, mas mais profundamente;

    ele é representado na figura seguinte 1 por um Globo escuro colocado por baixo do coração.

    É o dragão ígneo ou Espírito deste Mundo;

    e ele está também unido com a primeira vida do homem com a mulher;

    a sua raiz está no Abismo.
  2. Ele gera igualmente sete estaturas, mas que não produzem mais do que a angústia, o sofrimento e a vaidade, como se vê nos diabos e nos seres humanos não regenerados. 2

    São os sete selos que o Diabo imprime na alma, para que ela não se aperceba do Fogo divino, no amor do qual ela se deveria reconfortar. (Ap 5).
  3. O seu alimento é em parte as Essências do corpo exterior, em parte as estrelas e os elementos ígneos do Diabo, quer a presunção, a soberba, a inveja, a cólera, a hipocrisia, os crimes e todos os pecados;

    o seu espírito é o sopro irascível de Deus, que impulsiona e governa o ser humano.
  4. Segundo o corpo terrestre, é a luz do sol do qual ele se serve;

    mas em si próprio, ele opera fora do corpo, duma forma diabólica, como os gatos, as ratazanas, os ratos e os animais noturnos.
  5. Nessas duas Vidas, sob a forma humana, o ser não é mais do que um animal diabólico;

    ele tem exteriormente uma qualidade suave ou selvagem, e segundo a alma ele não é mais que um verme repugnante.
  6. Porque toda a vontade própria é um puro diabo;

    e quando a vida exterior cessa, a alma encontra-se na sua vontade adquirida no abismo tenebroso com os diabos.

Notas
  1. A "Vida da alma" tem também o seu Centro no coração, mas mais profundamente dentro do coração. Este Centro está representado na Figura 2 por um Globo escuro colocado por baixo do coração. [ ]
  2. O dragão ígneo, ou Espírito deste Mundo, está representado na Figura 0 pelo Número 8. [ ]

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Ser humano natural » Da vida da alma

Teosofia Prática – Da vida exterior


  1. A Vida exterior, gerada como uma semelhança do mundo interior ou eterno, tem o seu Centro no coração exterior, na carne e no sangue;

    ela é comum a todos os animais que não procuram mais do que se alimentar e do que se reproduzir.
  2. O seu alimento é a constelação com os seus elementos, e o ar que sopra sobre o fogo do coração;

    esta vida tem a sua irradiação nas sete formas da Natureza externa, que lhe dão inteligência, a governam e a excitam, 1

    ela tem um começo e um fim temporal, e rompe-se até dentro da Tintura ou a Essência que reside dentro do Fogo;

    mas os animais não são nada assim.

Notas
  1. As sete formas da natureza externa estão representadas na Figura 0 pelos Número 1 até Número 7. [ ]

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Ser humano natural » Da vida exterior

Teosofia Prática – Da tripla vida do ser humano


  1. Quando o leitor, amigo da Sabedoria, procura Deus nos seus milagres, e quando ele quer contemplar em si o Ternário oculto, é preciso antes de tudo que ele reentre em si próprio, e que ele aprenda a conhecer-se até ao fundo na sua génese e na sua vida tripla, porque ele é em si a imagem eterna de Deus segundo os mundos da treva e da luz.
  2. E da mesma forma que esses Três, que são apenas Um, se distinguem nas suas Essências, e nas suas operações, assim é a tripla vida do ser humano, e ela não pode ser concebida de outra forma: cada um fica na sua vontade própria, no seu fogo ou no seu espírito.
  3. Cada fogo tem também o seu Centro próprio, e deseja o alimento particular que lhe é agradável;

    e ele não toma nenhum outro, é por isso que se encontra nos seres humanos formas de viver diferentes.

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Ser humano natural » Da tripla vida do ser humano

Teosofia Prática - Do ser humano natural - Prólogo


  1. Na Figura aqui presente, que é a primeira do nosso autor Central e iluminado, o caro leitor aprende o que é a queda de Adão e como é que ele rompeu completamente com Deus e o Sim.
  2. Ele tornou-se num raio pessoal, da Essência estrangeira e falsa, que se chama a mentira.

    É Satanás, a antiga serpente, elevada nos corações dos nossos primeiros pais, e que devido a isso, o nosso adorável Salvador, que é para nós espírito e vida, chama o pai da mentira (Jo 8, 44).

    Essa essência roda sobre ela própria, para o bem e para o mal, e só atinge o sol exterior.
  3. A alma está morta interiormente, ela tornou-se no inferno onde atua a corrupção eterna.
  4. Que o ser humano se afaste dela, portanto, para bastante longe e volte a sua coragem para Deus.
  5. É o que se chama fazer penitência;

    a operação é no coração, as orações arrastam-no com força para fora do Abismo infernal, batendo com violência à porta do Céu e atraem-no a ele na Fé.
  6. Isto compreende a regeneração;

    a centelha da fé brilha nas profundezas da Alma;

    o coração passa pelo Fogo da Angústia, na santa combustão da qual se elevam a confiança e o abandono em Deus, e Jesus deseja uma estatura no coração.
  7. Com isto, a Fé na força de Jesus estoira através de toda a potência de Satanás;

    e todas as cadeias da cólera e da obscuridade, que garrotavam a alma nas Formas da Natureza, são quebradas, e o jugo de Satanás é rejeitado.
  8. Isto acontece pela morte;

    Jesus mostra-nos isto pela sua morte, que é preciso sofrer uma semelhante agonia, quando a nossa alma, que se estende com todas as suas forças pela oração diante de Deus, se torna ela própria a árvore da Cruz.

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Ser humano natural » Prólogo

Teosofia Prática - 2. Do ser humano natural


Capítulo segundo

Do ser humano natural

Figura 1

  1. Prólogo
  2. Da tripla vida do ser humano
  3. Da vida exterior
  4. Da vida da alma
  5. Da vida de luz
  6. Da queda de Adão
  7. Dos dois fogos
  8. Do combate entre as sementes
  9. Do corpo animal
  10. Da queda de Adão
  11. Do Fogo
  12. Da alma de Fogo
  13. Da Vontade própria
  14. Da morte da Vontade
  15. Do chamamento de Deus
  16. Da obediência ao Criador
  17. Do dragão do fogo
  18. Das desculpas da alma
  19. Do macaco da Sabedoria divina

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » 2. Do ser humano natural

Teosofia Prática - Do ser humano natural – Figura 1


Clicar na imagem para aumentar


Figura 1 – O Ser Humano Natural


Legenda da Figura 1: 1

  • Escrito no cimo da figura:
    «O Homem natural terrestre tenebroso em Estrelas e Elementos»
  • Desenhado no ser humano: 2
    • Número 1: Esfera de Saturno (no topo da cabeça),
    • Número 2: Esfera da Lua (no baixo ventre),
    • Número 3: Esfera de Júpiter (na testa),
    • Número 4: Esfera de Mercúrio (na barriga),
    • Número 5: Esfera de Marte (no peito),
    • Número 6: Esfera de Vénus (no estômago),
    • Número 7: Esfera do Sol (no coração).
  • Escrito no ser humano:
    • Escrito na testa (entre o símbolo de Saturno, em cima, e o símbolo de Júpiter, em baixo):
      «Orgulho»
    • Escrito no queixo:
      «Avareza»
    • Escrito no peito (por baixo do símbolo de Marte):
      «Inveja»
    • Escrito no coração (por cima e por baixo do símbolo do Sol):
      «Egoísmo»
    • Escrito na barriga (por baixo do símbolo de Vénus, ao lado do símbolo de Mercúrio, e por cima do símbolo da Lua):
      «Cólera»
  • Escrito nos dois lados das pernas:
    «Elementos = Regiões:
    Fogo – Coração,
    Água – Fígado,
    Terra – Pulmões,
    Ar – Bexiga.»

Notas
  1. Esta é a primeira figura do Autor. Par. 1, p. 27. [ ]
  2. Notar que nesta Figura 1, a espiral (o Caminho do Peregrino) começa na esfera de Saturno (o Número 1) tal como na Figura 0. Mas nesta Figura 1, a espiral termina na esfera do Sol (o Número 7). A parte restante da espiral (desde o Número 8 até ao Número 10) contínua já no interior do corpo humano, e encontra-se representada nas figuras seguintes. [ ]

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Ser humano natural » Figura 1

Teosofia Prática – Da alma ígnea


  1. Quando o ser humano arranca a sua alma ígnea da luz divina, e quando ele coloca a sua vida própria na constelação exterior, a sua alma torna-se no dragão vermelho de fogo com sete cabeças, que é cavalgado pela prostituta da constelação do entendimento exterior, e que combate o Altíssimo no abismo da Luz, assim como se explica no capítulo seguinte.
  2. Mas se a alma ígnea permanece na humildade, e se ela tira do amor o alimento da sua combustão, ela torna-se num anjo do Senhor, pela qual se manifesta a Sua majestade e a Sua mansidão;

    ela se desposa com Sofia, assim como é dito no terceiro capítulo;

    ela combate o dragão ígneo da ipseidade (quarto capítulo);

    ela está constantemente armada com o gládio do Espírito (segundo capítulo);

    e ela vive como um sacerdote de Deus, santamente, modestamente e na abnegação.

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Grande mistério » Da alma ígnea

Teosofia Prática – Do Princípio médio


  1. Em segundo lugar, a alma não aclarada, encontrará ainda uma pedra no seu caminho, se ela crê que, dentro do ser humano interior regenerado, o Princípio médio é o da Luz;

    vê-se na figura correspondente que o mundo ígneo é o centro e o ponto de separação entre a Natureza exterior temporal e entre a Natureza interior eterna.
  2. O estudante deve estar seguro que esta figura reproduz bem a ordenação da Natureza eterna no interior;

    ele notará que o primeiro Princípio, como raiz ígnea, se apresenta como saindo do centro ou se elevando de baixo;

    também, que toda a ordenação se desenvolve como uma vegetação.
  3. Isto só é dado para os simples, fracos de concepção e facilmente fatigados com a busca, porque tudo isto está cheio de Confusão.

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Grande mistério » Do Princípio médio

Teosofia Prática – Do Spiritus Mundi


  1. Mas quando a Natureza Eterna se organiza em formas, as três primeiras são tomadas para o primeiro Princípio;

    e o Fogo como gerador necessário da vida.
  2. Isto deve-se também entender do Spiritus Mundi que foi dado aos filhos de Israel, sobre o monte Sinai, pela lei de Moisés, - que é a natureza desse Pai, chamado na forma ígnea, um Deus ciumento e colérico, e um fogo consumidor.
  3. Da mesma forma que na quinta forma da Natureza eterna, Deus é chamado uma luz de amor.

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Grande mistério » Do Spiritus Mundi

Teosofia Prática – Da alma não exercitada


  1. Muitas almas se amaldiçoarão no dia da Revelação, por terem estado tão próximas duma tal graça, por a terem perseguido até ao fim e por não terem aproveitado dela.
  2. A alma não exercitada terá um véu diante dos olhos, porque, na Figura aqui representada, o Pai está na oitava forma, enquanto que nas rodas da Natureza eterna, Ele está na quarta.
  3. Porque, na dita Figura, começa-se na Natureza exterior, onde a vida humana rola e turbilhona desde fora até dentro.
  4. Esta última é tripla como o exterior terrestre;

    vem em seguida a Vida – ígnea – Astral de quem elas participam ambas;

    e a Vida ígnea interior com a sua raiz dentro das trevas é o ponto de origem do espírito ou da luz interior da vida.

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Grande mistério » Da alma não exercitada

Teosofia Prática – Do cavar na alma


  1. Quanto mais a alma cava nela, mais ela se aproxima de Deus, até que por fim ela pára diante da Santa Trindade;

    então ela atinge um profundo conhecimento.
  2. Depois o Espírito de Deus sai com a alma até à Natureza mais exterior e mostra-lhe, adiante e atrás, a geração do Um, como majestade do Ternário, através das Sete Formas;

    e a alma sente uma alegria bem maior nessa ciência que em todos os tesouros do mundo.
  3. Porque o que é que pode ser mais caro a uma alma do que Deus, o amor eterno, cujo doce sabor ultrapassa todo o entendimento humano, e conquanto o retórico e o poeta mais hábil aí empregassem toda a sua arte, eles não a conseguiram no entanto exprimir.

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Grande mistério » Do cavar na alma

Teosofia Prática – Da Transmutação da Cólera em Misericórdia


  1. Aqui aplica-se a frase de Cristo «Quem pede receberá, quem procura encontrará, àquele que bater a porta será aberta».

    Porque o tesouro está profundamente enterrado nas almas, guardado pela Cólera de Deus que deve ser antes de tudo vencida por intermédio do Amor de Jesus;

    sem isso, não se encontra nada porque esta Cólera guarda fortemente aquilo que ela devorou.
  2. É por isso, que Cristo nos ensina e nos exorta a lutar, a combater, para passarmos por esta porta estreita;

    é precisa uma aplicação extraordinária, como aquela da qual Jacob fez prova na execução das ordens que Deus lhe deu.
  3. Faz assim:

    envolve-te no amor de Jesus Cristo;

    nunca deixes sair a tua vontade das Suas feridas;

    acredita firmemente nas Suas promessas, porque Deus não pode mentir;

    e não te deixes arrastar para a dúvida pelo teu coração.
  4. Porque a Cólera de Deus penetra no teu corpo e na tua alma pelo Seu Nome agudo e prova até à base se tu estás bem enraizado em Jesus;

    e se ela vê que ela não pode destronar Jesus do teu coração, ela rende-se por fim e não exerce mais a sua agudeza.
  5. Então desponta a aurora do amor de Jesus no teu coração;

    ela Transmuta a Cólera na grande Misericórdia, e eu desejo-te, caro leitor, o sentir e o desfrutar desta sapidez que eu não consigo traduzir por palavras.

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Grande mistério » Da Transmutação da Cólera em Misericórdia

Teosofia Prática – Do começo do seu caminho


  1. Deus é o inimigo dos entendimentos pessoais e arrogantes:

    Ele volta-lhes as costas, porque eles se consideram sábios e eruditos, e porque eles querem ler no livro dos Seus Segredos com os óculos da razão.
  2. Aquele que pede a Deus o Seu Espírito Santo, sem cessar, encontrará a melhor e a mais segura via, e receberá um guia que o conduzirá em todos os abismos, lhe abrirá todas as fechadura e todas as portas;

    é assim que nos prestam testemunho, e que nos ensinam pelo seu exemplo, todas as pessoas iluminadas;

    fora disso, não se encontra nada.
  3. De acordo com isso, o pesquisador esfomeado não limitará o seu Estudo à leitura e à ciência escrita;

    ele pensará também em começar o seu caminho e ao lado da oração assídua, ele odiará a vida terrestre, procurará a interior, assim como eu fiz:

    ele reconhecerá assim que as lições e os ensinamentos vêm de Deus.

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Grande mistério » Do começo do seu caminho

Teosofia Prática - Da alma esfomeada por Deus


  1. Mas como o ser humano se tornou completamente exterior e animal, como ele não procura mais do que os tesouros perecíveis deste mundo, como ele ama a sua vida e desdenha o Bem imperecível, muitas coisas lhe ficam seladas.
  2. Porque o que faria um porco de um colar de ouro ou um pássaro de gaiola de uma pérola?

    Eles os espezinhariam no esterco porque eles não conheceriam o seu valor.
  3. Mas uma alma esfomeada por Deus e pelo Seu conhecimento, agindo na humildade e que procura na simplicidade do seu desejo, encontra em si própria sem um trabalho demasiado grande, demasiado difícil ou demasiado doloroso.

    Porque Deus está perto;

    Ele ama o humilde que se considera completamente indigno do Seu grande amor, e que está frequentemente longe de conceber o conhecimento de Deus.

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Grande mistério » Da alma esfomeada por Deus

A Sabedoria e a sua Virtude - 81. Trabalhar Sem Batalhar



As palavras verdadeiras não são belas,
As palavras belas não são verdadeiras.
A bondade não é eloquente,
A eloquência não é bondosa.
A inteligência não é erudição,
A erudição não é inteligência.

O Sábio evita acumular,
Quanto mais vive para os outros, e mais se enriquece,
Mais dispensa aos outros, e mais é cumulado.

A Sabedoria do Céu: gratificar sem prejudicar,
A Virtude do Sábio: trabalhar sem batalhar.


[ Anterior ] [ Índice ] [ ◊ ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 81. Trabalhar Sem Batalhar

A Sabedoria e a sua Virtude - 80. Contentar-se Com o Que se Tem



Um país pequeno, com muito poucos habitantes,
Pode possuir algumas armas,
Das quais não se deve servir.
Eles devem temer a morte e não devem ir longe.
Mesmo que tivessem barcos e carros,
Que eles os deixem sem utilização.
Mesmo que tivessem armas e armaduras,
Que eles não se sirvam delas de forma nenhuma.
Voltando a preferir o fio com nós,
Que eles achem a sua comida saborosa,
As suas roupas adequadas,
As suas residências cómodas,
Os seus costumes agradáveis.
Desde este país até ao seu vizinho,
Ouve-se o cantar do galo, assim como o ladrar do cão,
Mas ambos morrerão de velhice,
Sem nunca se terem encontrado.


[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 80. Contentar-se Com o Que se Tem

A Sabedoria e a sua Virtude - 79. Não Ter Preferências Próprias



Se tu apaziguasses uma grande querela deixando uma pequena ofensa,
Tu não saberias fazer o bem.

O Sábio tem na mão o papel de debitador,
Sem nada exigir do próximo.

Quem quer que tenha a Virtude alivia o seu semelhante,
Quem não a tem, sobrecarrega-o em vão.

A Sabedoria do Céu, sendo sem preferência própria,
Cumula sempre a pessoa de bem.


[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 79. Não Ter Preferências Próprias

A Sabedoria e a sua Virtude - 78. Suportar os Males do Reino



Nada é mais flexível no mundo e mais fraco do que a água,
Mas para domar o duro e o forte, nada a ultrapassa,
Nada seria capaz de tomar o seu lugar.

Que a fraqueza prime sobre a força,
E a flexibilidade sobre a dureza.
Não há ninguém debaixo do Céu que não o saiba,
Mas não há ninguém que o consiga praticar.

Também o Sábio:
Assumir as nódoas do reino,
É ser o senhor dos templos da Terra.
Suportar os males do reino,
É ser rei do universo.

Porque o verdadeiro soa a falso.


[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 78. Suportar os Males do Reino

A Sabedoria e a sua Virtude - 77. Dar ao Mundo a Sua Riqueza



A Sabedoria do Céu? Um arco retesado:
O alto verga, o baixo ergue-se.
O excedente é aplainado,
Compensada, a falta.

Assim, a Sabedoria do Céu tira ao excedente,
Para compensar a falta.
Mas a sabedoria dos humanos tira ao indigente,
Para engordar o rico.

Quem dará ao mundo o seu excesso de riqueza,
Senão aquele que possui a Sabedoria?

O Sábio realiza sem orgulho,
Aperfeiçoa sem ostentação,
E mantém o seu mérito na sombra.


[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 77. Dar ao Mundo a Sua Riqueza

A Sabedoria e a sua Virtude - 76. Ser Fraco e Humilde



Um ser vivo nasce fraco e flexível,
Um morto é duro e rígido.
Este ramo fraco e gracioso,
Morto, murcha e seca.
Companheiros da morte, são o duro e o rígido,
Companheiros da vida, são o fraco assim como o flexível.
Esta potência armada não terá vitória nenhuma,
E esta árvore alta será derrubada.
A altura e a força são baixas,
É a fraqueza e é a humildade que são sublimes.


[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 76. Ser Fraco e Humilde

A Sabedoria e a sua Virtude - 75. Não Aspirar a Viver Bem Demais



O povo está esfomeado.
É porque os grandes o taxam sem misericórdia,
Eis o que o torna esfomeado.

O povo está intratável.
É porque os grandes se metem nos assuntos dele,
Assim o tornam intratável.

Ele não teme a morte.
É porque o seu governante aspira a viver bem demais,
Eis porque o povo não teme a morte.

Só o Sábio, que não aspira a viver bem demais,
Lhe torna a vida possível.


[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 75. Não Aspirar a Viver Bem Demais

A Sabedoria e a sua Virtude - 74. Não Talhar a Madeira em vez do Carpinteiro



Para que serve agitar o espectro da morte,
Aos olhos de quem não teme a morte? 1
Se o povo temesse a morte,
E se nós apanhássemos os que violam a lei,
Para os condenarmos à morte,
Quem ainda cometeria faltas?

A Grande Executora 2 está sempre lá para matar.
É realmente a tua função o matares em seu lugar?
Seria como talhares a madeira em vez do grande carpinteiro.
Mas, a talhar a madeira em vez do grande carpinteiro,
Grande malandro quem não se magoa.


Notas
  1. Porque um regime injusto lhe torne a vida insuportável (ver o poema seguinte). Então, os castigos não têm efeito. [  ]
  2. A Sabedoria. [  ]

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 74. Não Talhar a Madeira em vez do Carpinteiro

A Sabedoria e a sua Virtude - 73. Trabalhar Sem se Esforçar



O bravo temerário faz-se matar,
O bravo circunspecto fica vivo.
Das duas formas de proceder,
Uma é benéfica e a outra é prejudicial.

Das aversões do Céu,
Quem sabe o porquê?
Mesmo o Sábio esbarra aí.

A Sabedoria do Céu é aquela
Que vence sem batalhar,
Que responde sem falar,
Que vem sem que seja chamada,
E que trabalha sem se esforçar.

Entre as suas largas malhas,
A grande rede do Céu não deixa nada escapar.


[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 73. Trabalhar Sem se Esforçar

A Sabedoria e a sua Virtude - 72. Amar o Interior



Quando o povo já não tem mais medo do poder,
É porque um Poder maior se aproxima.

Não te imiscuas levianamente nos lares,
E quando tu taxas, não tenhas a mão demasiado pesada.
Deixa portanto de cansar o povo,
Ele deixará de se cansar de ti.

O Sábio conhece-se mas não se vangloria,
Ele faz amizade sem se colocar muito alto.
É o interior, não o exterior, que ele ama.


[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 72. Amar o Interior

A Sabedoria e a sua Virtude - 71. Ver o Conhecimento como Falta de Conhecimento



Ver o conhecimento como falta de conhecimento, eis o bem.
Ver a falta de conhecimento como conhecimento, eis o mal.
Somos curados de um mal que consideramos ser um mal.
O Sábio não está mal, é o seu mal que está mal,
Quanto a ele próprio, ele está muito bem.


[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 71. Ver o Conhecimento como Falta de Conhecimento

A Sabedoria e a sua Virtude - 70. Compreender e Praticar



Fácil de compreender, o que eu digo,
Fácil de praticar.
Mas ninguém o compreende,
Ninguém o pratica.

O que eu digo tem o seu Antepassado,
O que eu faço tem o seu Senhor.
Mas a multidão não o sabe,
Como me saberia ela?

Raros são aqueles que me sabem,
Mas nobres são aqueles que me seguem.
Rudemente vestido, o Sábio,
Guarda um jade no seu seio.


[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 70. Compreender e Praticar

A Sabedoria e a sua Virtude - 69. Saber Sofrer



Máxima do estratega:
Não tomes a iniciativa, deixa que te ataquem,
Em vez de avançares uma polegada, recua um pé.

É a isto que se chama avançar sem se mexer,
Ceder sem arregaçar as mangas,
Capturar o inimigo sem nunca o afrontar,
Brandir uma arma inexistente.

Subestimar o seu inimigo, isso é o pior,
É já perder o seu tesouro.
E quando dois exércitos chegam ao combate,
A vitória vai para o campo que sabe sofrer.


[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 69. Saber Sofrer

A Sabedoria e a sua Virtude - 68. Ter a Virtude de Não Rivalizar



O bom comandante nem sequer chega a sair com o seu exército.
O verdadeiro guerreiro não tem cólera.
É conquistar o seu adversário,
O evitar afrontá-lo.
É fazer bom uso de uma pessoa,
O colocar-se debaixo dela.

Na verdade,
É ter a virtude de não rivalizar,
É ter a arte de utilizar as competências,
É estar casado com o mais alto Céu antigo.


[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 68. Ter a Virtude de Não Rivalizar

A Sabedoria e a sua Virtude - 67. Ser Misericordioso



A Sabedoria, diz-se, é grande mas não se parece com nada.
É porque ela é grande que ela não se parece com nada.
Se ela se tivesse posto a parecer com alguma coisa,
Há muito tempo que ela seria pequena.

Eu tenho três tesouros que guardo com firmeza e conservo ciosamente:
O primeiro é a misericórdia,
O segundo é a frugalidade,
O terceiro é a timidez de tomar a cabeça do mundo.

Misericordioso, eu serei corajoso,
Frugal, eu posso mostrar-me generoso,
Tímido para governar, eis-me chefe supremo.

Quem pretende ser corajoso sem passar pela misericórdia,
Quem pretende ser generoso sem passar pela frugalidade,
Quem pretende ser o primeiro sem se colocar na última fila,
Esse corteja a morte.

Misericórdia: agente da vitória no combate,
Firme muralha da defesa.
Ao misericordioso, o Céu socorre,
E faz-lhe um abrigo com a sua misericórdia.


[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 67. Ser Misericordioso

A Sabedoria e a sua Virtude - 66. Não Rivalizar com Nada



O que faz com que os rios e os mares primem sobre os ribeiros dos montes?
É porque estão mais baixos do que eles.
Eis porque os rios e os mares primam sobre os ribeiros dos montes.

Queres elevar-te acima do povo, baixa-te primeiro em palavras.
Queres tomar a cabeça do povo, começa por passar para a cauda.

Quando o Sábio está por baixo do povo, o povo não sente o seu peso.
Quando o Sábio dirige o povo, o povo não sente a sua mão,
E ninguém se cansa dele, assim cada um empurra-o para a cabeça.

Não rivalizando com nada, ele não tem nenhum rival.


[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 66. Não Rivalizar com Nada

A Sabedoria e a sua Virtude - 65. Regressar à Grande Harmonia



Os Antigos que possuíam a Sabedoria,
Não procuravam nada esclarecer o povo,
Eles procuravam torná-lo simples.
Porque é que o povo é tão difícil de governar?
É por excesso de esperteza.
Quem governa um Estado com a sua esperteza,
Será para ele um malfeitor.
Quem o governa abdicando da sua esperteza,
Será para ele um benfeitor.
Conhecer estas duas leis, fornece a regra e o modelo,
Observá-las sempre, é a Virtude Misteriosa.
Virtude profunda e espaçosa,
Segundo a qual tudo caminha até regressar
À Grande Harmonia.


[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 65. Regressar à Grande Harmonia

A Sabedoria e a sua Virtude - 64. Desejar não Desejar



O que está parado, é fácil de agarrar,
O que não tem começo, é fácil de prevenir.
O que é frágil, é fácil de quebrar.
O que não é maciço, é fácil de dispensar.

Age sobre as coisas antes delas acontecerem,
Previne a desordem pela ordem.

Esta árvore que enche os teus braços, o seu princípio é uma semente ínfima.
Esta torre e os seus nove andares, saíram de um pequeno montículo.
Esta viagem de mil quilómetros, começou pouco a pouco.

Aquele que força, destruirá.
E aquele que agarra, perderá.
O Sábio não força nada portanto não destrói nada.
Não agarra nada, assim não tem nada a perder.

O povo, ao azafamar-se, falha mesmo perto do fim.
Permanece tão prudente no termo como no início,
Tu evitarás o revés.

Eis porque o Sábio deseja não desejar,
Despreza as coisas raras,
Aprende a desaprender,
Ensina o povo a emendar-se dos seus excessos,
Ajuda as coisas a viverem segundo a sua natureza,
E evita forçá-las.


[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 64. Desejar não Desejar

A Sabedoria e a sua Virtude - 63. Crer que Tudo é Difícil



Age com pouco agir,
Faz com pouco fazer.
Saboreia o que tem pouco sabor,
Magnifica o mínimo,
Dá quantidade ao pouco.
Responde às maldades que te fazem com a Virtude,
Aprende a vencer o incomodo com o cómodo,
Aprende a dominar o grande com o mínimo.
O Sábio não se esforça nada por fazer grande,
Ele faz grande por isso mesmo.
Prometer com ligeireza não é cumprir a palavra,
Crer que tudo é fácil faz nascer mil obstáculos.
Mas o Sábio, crendo que tudo é difícil,
Tudo se aplana diante dos seus passos.


[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 63. Crer que Tudo é Difícil

A Sabedoria e a sua Virtude - 62. Oferecer a Sabedoria



A Sabedoria: é o esconderijo de todas as coisas,
Tesouro do justo e salvação do culpado.
As palavras belas valem-vos crédito,
As ações belas adquirem-vos respeito.
Mas o culpado, para que serve bani-lo?

Se coroam um imperador,
Se instalam três ministros,
Deixa outro presentear grandes jades e quadrigas,
Tu, avança sobre os joelhos e oferece a Sabedoria.

Se os Antigos prezavam a Sabedoria, seria,
Porque ela é encontrada por quem a procura,
Porque a sua Virtude resgata todos os culpados?
Sim, por isso mesmo ela é o tesouro do mundo.


[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 62. Oferecer a Sabedoria

A Sabedoria e a sua Virtude - 61. Conquistar Baixando-se



Um país grande é um lugar baixo para onde correm todos os rios,
O ponto de encontro de todas as coisas,
O Feminino do universo.

O Feminino conquista na passividade,
Conquista baixando-se na passividade.

Se um país grande se baixa diante de um mais pequeno,
Por isso mesmo, ele ganha-o.
Mas se um país pequeno se baixa diante dele,
Será conquistado.

O que quer um país grande? Aumentar os seus clientes.
Um país pequeno? Servir um patrão.
É claro que ambos têm lucro em se entenderem,
Mas compete ao grande baixar-se.


[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 61. Conquistar Baixando-se

A Sabedoria e a sua Virtude - 60. Vigiar o Mundo com Sabedoria



Reger um grande estado: é fritar pequenos peixes!
Vigia sobre o mundo com a Sabedoria.
As Sombras não terão mais poder pelos Espíritos.
Não que elas não tenham mais, com efeito, poder pelos Espíritos,
Mas os Espíritos, eles próprios, não prejudicarão mais o povo.
Não que eles sejam destituídos da sua nocividade,
Mas porquê, então, o Sábio prejudicaria o seu povo?

Quando o povo e o governante evitam de se prejudicarem,
A Virtude aflui ao reino.


[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 60. Vigiar o Mundo com Sabedoria

A Sabedoria e a sua Virtude - 59. Despender Avaro



Para governar as pessoas e para servir o Céu,
Nada como o Despender Avaro.
O Despender Avaro gerará a Recuperação 1,
A Recuperação gerará a Dupla Reserva de Virtude.
A Dupla Reserva de Virtude triunfará sobre todos os obstáculos,
Quem triunfa sobre todos os obstáculos atingirá o Cume desconhecido.
Quem atinge o Cume desconhecido será o senhor de um Reino,
E quem obtiver a Mãe do Reino,
Adquirirá a duração.

Eis aquilo a que se chama,
A Sabedoria enraizada profundamente, implantada firmemente,
Fonte de vida longa e de visão durável.


Notas
  1. Ou regresso precoce (ao Princípio); mas "Recuperação" está mais em harmonia com o contexto. [  ]

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 59. Despender Avaro

A Sabedoria e a sua Virtude - 58. Resplandecer sem Cegar



Para governante mudo, mudo,
Povo muito simples, simples.
Para governante penetrante, penetrante,
Povo finório, finório.

A infelicidade traz a felicidade,
A felicidade subentende a infelicidade.
Dir-se-á que vistos de muito alto,
Caminhar direito e torto são o mesmo?

O normal torna-se monstruoso,
O benéfico, maléfico.
Foi na noite dos tempos que o ser humano,
Começou a perder-se.

O Sábio disciplina sem ferir,
Inclina sem quebrar,
Retifica sem violentar,
E resplandece sem cegar.


[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 58. Resplandecer sem Cegar

A Sabedoria e a sua Virtude - 57. Regressar ao Simples



Um estado é governado pelo espírito da retidão,
Uma guerra faz-se com ataques de surpresa,
Mas é pelo não forçar que se conquista o mundo.
Como sei?
Assim!

Quanto mais reinam proibições e defesas,
E mais o povo se empobrece,
Maior o número de armas afiadas,
E mais a desordem é severa.
Quanto mais abunda a esperteza,
E mais se vêem frutos estranhos,
Mas se alongam as ordenanças,
E maior é o número dos bandidos.

Assim o Sábio diz:
Eu pratico o não forçar: o povo evolui por si próprio,
Eu incito ao amor à quietude: o próprio povo toma o caminho reto,
Eu não estimulo o empreendimento: o povo prospera por si próprio,
Eu não alimento nenhum desejo: o povo regressa por si próprio ao Simples.


[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 57. Regressar ao Simples

A Sabedoria e a sua Virtude - 56. Saber e Não Falar



Quem sabe, não fala,
Quem fala, não sabe.
Condena todas as passagens,
Fecha todas as aberturas,
Arredonda todas as arestas,
Desata a tua meada,
Unifica todas as luzes,
Mistura todas as poeiras.

Nisto reside a Identidade misteriosa.

Tu não te podes aproximar dela,
Assim como não te podes distanciar dela.
Não podes beneficiá-la,
Assim como não podes prejudicá-la.
Não podes honrá-la,
Assim como não podes desonrá-la.
Nada em todo o universo a ultrapassa em nobreza.


[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 56. Saber e Não Falar

A Sabedoria e a sua Virtude - 55. Conhecer a Harmonia Perfeita



Aquele que é animado pela Virtude,
É como uma criança recém nascida:
As vespas, os escorpiões, as serpentes respeitam-no,
As aves de rapina não o arrebatam,
Nem as bestas o esfacelam.
Ele tem os ossos frágeis e os músculos débeis,
Mas o seu punho é todo poderoso.
Ele ignora a união do masculino com o feminino,
Mas o seu membro viril está ereto,
A sua força vital no auge,
Ele clama todo o dia sem ficar rouco,
Ele conhece a Harmonia perfeita.

Conhecer a Harmonia é conhecer o Constante,
Conhecer o Constante é a Iluminação.
(mas pelo contrário)
Precipitar a vida significa a sua perda,
Ativar excessivamente a respiração é esticar-se,
Atingir o vigor é estimular o seu declínio.
A tudo isto se chama: a rebuço da Sabedoria.
A rebuço da Sabedoria corre para a morte.


[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 55. Conhecer a Harmonia Perfeita

A Sabedoria e a sua Virtude - 54. Cultivar a Virtude



O que está bem plantado não se pode arrancar,
O que está bem apertado não se pode soltar.
É graças à Virtude que filhos e netos,
Celebram, sem falta, o culto dos antepassados.

Cultivada em ti,
A Virtude da Sabedoria torna-se em virtude sincera,
Cultivada em família, virtude sobreabundante,
Cultivada na cidade, virtude perseverante,
Cultivada no estado, virtude florescente,
Cultivada no mundo, virtude universal.

Conhece o Ser Humano a partir de ti,
A Família a partir da família,
A Cidade a partir da cidade,
O Estado a partir do estado,
O Mundo a partir do mundo,
Como posso saber o que é o Mundo?
Assim!


[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 54. Cultivar a Virtude