Teosofia Prática – Do macaco da Sabedoria divina


  1. Quem vai punir e convencer esse deus egoísta? Ele está alojado num belo animal, sob uma forma humana; ele parece pio no exterior, honrado e devoto, ele vai às igrejas, ele comunga, honra os mestres e os pobres, glorifica-se de ser cristão e predestinado para a beatitude, onde ele espera as graças celestes.
  2. Ele sabe dissertar sobre as Escrituras tão bem quanto sobre os Mestres; ele vai frequentemente suficientemente longe para abandonar a Igreja exterior, para julgar sobre o declínio dela e para fazer prova de verdadeiro especialista de Cristo, do qual ele imita a vida escondida e a linguagem; ele circuncida-se exteriormente e afasta-se da sua mulher ou não se casa; e ele fala do leito nupcial e das núpcias de Sofia com a alma crente.
  3. Ele não passa, no entanto, de uma besta que se eleva do Abismo das Trevas; ela fala como o Cordeiro mas não passa, no entanto, do Macaco da Sabedoria divina que faz troça dos filhos dela e de todas as criaturas honestas.
  4. Ele coloca, na sua testa, o sinal de Jesus, mas não passa de um mentiroso. O verdadeiro cristão, aquele que possui verdadeiramente uma vontade humilde e equânima, que se coloca no Processo Essencial de Cristo, ele ama a pobreza d'Ele (que é o único sinal e a pedra de toque do verdadeiro discípulo) mais do que todos os tesouros do Egito.

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Ser humano natural » Do macaco da Sabedoria divina

Teosofia Prática – Das desculpas da alma


  1. Essa Vontade dá, pelas suas falsas convulsões da carne, tanta humidade ao Fogo da Alma, que ele é abafado e não consegue consumir-se no amor divino.
  2. Se Deus a chama, pelos seus filhos regenerados e pelos seus alunos, para a penitência e a conversão, se a presença do Senhor lhe é anunciada, ela desculpa-se dizendo que recebeu uma outra missão pela qual Deus realizará as Suas maravilhas.
  3. Os membros do corpo, diz ela, não são um todo único, eles são capazes de uma quantidade de movimentos, e cada um realiza a sua função particular.
  4. Ela encerra-se em si, e fecha à voz divina as portas da alma, afim de que ela não seja ouvida no seu repouso e no seu regime físico.

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Ser humano natural » Das desculpas da alma

Teosofia Prática – Do dragão do fogo


  1. Assim, essa Liberdade divina separou-se em ti do Abismo da Luz, fez-se Deus, e ela reina agora com as suas Formas de Natureza exterior, sobre o entendimento e os sentidos, dirige a alma, combate e contradiz Deus no fundo mais interior, faz o que lhe agrada, e o que é agradável à carne, é um Diabo, um dragão do fogo e uma serpente, que Deus tem que combater com a sua forte Potência irascível, capturar, submeter, pulverizar e rejeitar.
  2. Mas, que Deus venha interiormente em socorro da pobre alma aprisionada pelo seu Espírito Santo, e que Ele desperte nela o seu Fogo de Amor para que ela tenda em direção a um claro esplendor afim de que a Vontade egoísta chegue a ver a fealdade do dragão.

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Ser humano natural » Do dragão do fogo

Teosofia Prática – Da obediência ao Criador


  1. Dentro do homem avaro, Deus insuflou o livre arbítrio, as sete Formas para a produção da eterna Trindade, e da Sabedoria divina; Ele ordenou o entendimento, com os cinco sentidos para o socorro exterior; afim de que a Vontade livre reine dentro de todas as criaturas, e que as maravilhas de Deus sejam manifestadas.
  2. Mas o fim dessa vontade é o de se submeter e de obedecer ao Criador, de estar aberta humildemente ao abismo da Luz divina pelo que ela quer operar e revelar; a Vontade deve comer com fé o Verbo do Senhor, como a carne e o sangue crístico do ser humano interior; em vez de se alimentar dos frutos terrestres vindos do corpo exterior.

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Ser humano natural » Da obediência ao Criador

Teosofia Prática – Do chamamento de Deus


  1. É com tais representações que o Diabo imobiliza a maior parte dos seres humanos; e apesar de Deus os chamar diariamente, a toda a hora, para o Seu festim, um desculpa-se com o rebanho, o outro com o seu campo, o terceiro com o casamento terrestre, e o quarto terá necessidade de longos anos para se tornar devoto.
  2. Deus não aceita a Vontade egoísta; ela não passa de um demónio adverso e obscuro dentro do ser humano, e que pertence ao inferno e não ao céu.
  3. Mas se o ser humano, ainda carregado pelos liames da carne e do sangue, não quer passar pelo Fogo da Cólera divina e deixar que ela consuma o seu egoísmo, será preciso que ele aguente a prova depois da sua vida terrestre; e isso não será assim tão suave. Que aquele que tem ouvidos que oiça.

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Ser humano natural » Do chamamento de Deus

Teosofia Prática – Da morte da Vontade


  1. Sim, respondeu a Vontade criatural; eu não posso nada sem Cristo, eu não posso alienar nada por mim própria, nem dar nada a Deus que Ele não o permita; se Ele quer levar-me ao combate contra mim própria, que Ele me arme com o Espírito da oração, a fim de que eu possa perseverar. Porque aquele que põe a mão no arado e que a tira, é incapaz do reino de Deus. Eu prefiro permanecer na minha simplicidade do que me esforçar por coisas superiores; eu permaneço assim pacífica e tranquila; se eu não sou chamada à sexta hora, Deus pode chamar-me na décima primeira; quem se carrega a si próprio com uma cruz, deve carregá-la; se Deus quer dar-me uma, Ele saberá bem onde encontrar-me.
  2. Resposta: Tudo isso é verdadeiro, caro amigo, a tua opinião é muito boa; mas tu diabolizas-te mais uma vez, tu cobres a tua consciência com folhas de figueira, pensando que Deus não vê o teu egoísmo numa tal obscuridade. Se tu não o sabias, e se a Vontade de Deus não te fosse manifestada, seria preciso que tu te pudesses proteger do Fogo penetrante da cólera divina.
  3. No entanto tu sabes bem que não é diante do porqueiro que Deus o Pai se precipita, mas ao encontro daquela Vontade convertida, que concebe dentro do seu coração um desejo e que se dirige para Ele com uma humildade profunda; e apesar dela ainda estar longe, Ele abraça-a, beija-a e habita nela.
  4. A tua vontade vê muito bem que, mesmo se ela só concebesse um desejo por Deus, esse Deus se apressaria ao seu socorro e a armaria com a Sua força; mas ela ama-se demasiado e teme perder a sua vida quieta segundo a Carne e o Sangue.
  5. Ela deveria desejar sair da estrebaria do Diabo; perder a sua própria Natureza, morrer e encontrar um adversário violento que a precipite para fora da sombria Raiz ígnea com a dúvida, a angústia, a incredulidade, a impaciência e a cólera.
  6. Exteriormente, ela será oprimida, flagelada, difamada, atormentada, odiada e desprezada e considerada como louca por esses porcos; como abandonada por Deus e pelos homens, ela será pregada na cruz e gritará: Meu Deus, Meu Deus! como Tu me abandonaste! Onde é que a vida natural tomaria a sua subsistência?

[ Anterior ] [ Índice ] [ Seguinte ]


Início » Textos » Prática » Ser humano natural » Da morte da Vontade