Anfiteatro da Sabedoria Eterna - Apêndice Introdução


INTRODUÇÃO

Existem várias edições do Amphitheatrum: a primeira em data, desconhecida de Fictuld, é de 1602. O texto está em alemão; é acompanhada pelo frontispício ornamentado e por quatro pranchas, gravadas sob os olhos de Khunrath, por Van Doort, segundo os desenhos do autor; são:
O Cristo na Cruz (prancha I);
O Adão-Eva (prancha II);
A Pedra filosofal (prancha III);
O Laboratório oratório (prancha IV).

Os nomes e os números de ordem que nós lhes atribuímos são aqueles que indica Khunrath ele próprio no texto do seu Anfiteatro onde ele cita sete vezes O Cristo na cruz sob o nome de figura primeira, vinte vezes O Adão-Eva sob o nome de figura segunda; oito vezes A Pedra filosofal sob o nome de figura terceira, e onze vezes O Laboratório sob o nome de figura quarta. É também a estas quatro pranchas, e somente a elas, que se reportam os quatro comentários colocados no fim do Anfiteatro (edição de 1653), e foi sobre elas que J. Arndt publicou algumas páginas sob o título: Judicium philosophicum. São portanto as únicas sobre as quais nós podemos afirmar que são obra de Khunrath. (Não falamos de "A Coruja-das-torres", pequena ilustração acrescentada posteriormente, que figura também à cabeça do Caos hileálico (Francoforte, 1708), e que não tem o caráter iniciático das outras gravuras).

De 1602 a 1619, apareceram as edições latinas de Magdeburgo (1608), Hanau (1609), Hamburgo (1611) com as mesmas figuras.

Em 1619, Erasmo Wolfrath publicou a primeira edição contendo doze pranchas ou ilustrações. As seis novas gravuras acrescentadas são:
1° um retrato muito finamente gravado de Khunrath;
2° cinco pranchas simbólicas retangulares intituladas Prólogo, a Escola da natureza, a Cidadela alquímica, a Tábua de esmeralda, e o Pentáculo de Khunrath.

Algumas destas gravuras foram reencontradas nos manuscritos de Khunrath, como parece ser possível para a Cidadela alquímica e o Pentáculo, nós não somos capazes de afirmá-lo; em qualquer caso, as outras foram compostas mais ou menos habilmente pelo editor segundo o texto do Anfiteatro para melhor ilustrar esta obra. Estas novas pranchas, complemento das precedentes, encontram muito naturalmente o seu lugar entre elas e comentam-nas. Por conseguinte nós colocamo-las na ordem lógica de iniciação que elas representam. No entanto, nós temos de fazer notar que nem pelo seu desenho, nem sobretudo pelo ensino que elas contêm, elas não atingem a perfeição das quatro pranchas primitivas, e por isso mesmo, elas apenas exprimem melhor os estados intermédios, preparatórios para o grau superior de conhecimento representado na prancha imediatamente seguinte (figuras primitivas).

Apenas acrescentamos uma palavra. Khunrath quis apresentar aos olhos e revelar ao espírito os quatro caminhos que levam à sabedoria, tal como ele tinha percebido os graus. A sua obra, neste ponto de vista, é idêntica à de L.-Cl. de Saint-Martin; as obras de um e do outro foram, em épocas diferentes, os livros fundamentais de duas escolas quase idênticas, e pareceu-nos muito racional e muito interessante de indicar em concordância de cada uma das pranchas de Khunrath o livro de L.-Cl. de Saint-Martin correspondendo à ideia geral da figura e ao grau iniciático correspondente. Nós não pretendemos que um seja o comentário exato da outra; mas um estudo aprofundado das duas obras conduziu-nos a reconhecer em ambos um mesmo ponto de partida, uma mesma progressão, um mesmo ensino e nós estamos persuadidos que aquele que quiser, de boa fé, procurá-los, encontrá-los-á como nós, com a ajuda de Deus.

O Frontispício, que existe na edição princeps de 1602, resume bem a doutrina de Khunrath e as suas quatro figuras iniciais. Encontra-se aí as duas belas divisas:

PERSEVERANDO

ORANDO LABORANDO

e:

NEC TUMIDE, NEC TIMIDE.


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Anfiteatro da Sabedoria Eterna - Apêndice Prefácio



HENRI KHUNRATH, de Leipzig, "amante fiel da teosofia e doutor numa e na outra medicina", como ele se nomeia a si próprio, tanto douto cabalista como profundo alquimista, publicou, em 1609, uma admirável síntese da ciência oculta a que chamou Anfiteatro cristiano-cabalístico da única verdadeira Sabedoria eterna. Esta síntese compreendia duas partes: uma, mística, revelava, por uma interpretação esotérica, as verdades escondidas sob as más traduções publicadas até então do Livro da Sabedoria; a outra, hieroglífica, expunha em doze pranchas os mistérios da ascensão da alma pela escada do saber, ensinando a procura da via, as fontes da vida, a sublime grandeza da verdade e também a sua assustadora simplicidade.

Esta obra foi a bandeira ao redor da qual lutaram os rosa-cruz de 1610, contra a qual se conluiaram os doutos oficiais, os ignorantes, os receosos, de então, de qualquer parte que eles fossem. Schweighardt, Irenaeus Agnostus, Michel Maier, Robert Fludd estiveram entre os mais ativos defensores desta cidadela hermética onde Henri Khunrath tinha encerrado a tábua de Esmeralda, o Liber M de Paracelso e o túmulo de Christian Rosenkreutz.

Desde essa época até nós a personalidade de Khunrath conservou-se no seu caráter completo através das épocas. O seu sistema abraça tão completamente o universo visível e invisível, iluminando tão bem as profundidades da vida mineral como as esferas invisíveis do mundo intelectual, que permaneceu um mestre admirado por todos aqueles a quem a ciência secreta soube cativar. O seu
Anfiteatro deveria ser o livro de estudo de todos aqueles que trabalham por se aproximarem da verdade; mas este livro tornou-se raro.

Pareceu-nos que seria ao mesmo tempo prestar uma homenagem a uma alta inteligência, e ser útil àqueles que procuram, o reeditar das pranchas reveladoras do
Anfiteatro. O que nós publicamos hoje constitui toda a obra simbólica de Khunrath; é um caminho em direção à Sabedoria que um grande iniciado nos revela com um gesto silencioso. Compete a cada um, segundo os seus esforços e as suas pesquisas, de comentar e de caminhar sobre esta via.

Drs. Marc Haven e Papus.


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