Teosofia Prática – Do Fogo


  1. O Fogo é uma coisa muito boa, e não se pode negligenciar;

    ele dá aos seres humanos o calor, a luz para que eles possam ver nas trevas, e ele é-lhes necessário para a cozinha e para todas as formas de utilização.
  2. O Fogo divino, quando ele arde no Amor, é igualmente útil e bom, e não se pode passar sem ele, porque ele dá ao ser humano o meio de ver nas trevas, ele ajuda os milagres de Deus a se produzirem, ele dá força e poder à luz;

    e leva as coisas desde a Obscuridade até ao Ser, o que seria impossível à luz sozinha.

    Ele provoca a alegria, o contentamento e a jubilação no Céu, assim como a dor nas Trevas.
  3. Quando ele quer devorar, conservar e aniquilar tudo o que o rodeia, ele é mau;

    ele arde enquanto ele encontra Matéria para se alimentar;

    quando ele se extingue não resta mais do que carvão negro, cinzas e pó.

    Por isso, Deus criou a água que pode preservar do fogo.
  4. Igualmente, o Fogo da Cólera divina quando, saindo da sua ordenança, ele se separa da Luz, quer tornar-se próprio e absorver todo o bom;

    quando ele não é extinto, ele devora a Humidade oleosa de forma que a luz se extingue e que o fogo se torna num depósito negro, como se vê na segunda Figura.

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Teosofia Prática – Da queda de Adão


  1. Mas Deus pôs a alma no corpo para o governar, e deu-lhe como ajuda a sua Virgem celeste, a sabedoria da luz de vida, a fim de que a alma possa operar e manifestar os milagres de Deus neste mundo por intermédio do Espírito exterior como Instrumento: porque os milagres de Deus estão na alma de Fogo.
  2. A Alma de Fogo separou-se da sua querida auxiliar, para ser a sua própria mestra e para fazer neste mundo, a sua vontade;

    porque ela acreditou que a força e o poder dos milagres lhe eram próprios.
  3. É isso que é propriamente a queda de Adão, ele não quis mais se multiplicar com a Virgem celeste e obedecer-lhe;

    mas ele desejou uma mulher, como os animais, quis desfrutar corporalmente dos frutos e dos prazeres terrestres.
  4. Então Deus adormeceu-o, reuniu a Matriz feminina com a Tintura de luz ou de água numa mulher e Formou, por intermédio do Spiritum Mundi, o seu corpo grosseiro com membros, tal como nós somos ainda hoje e como indica a Figura.
  5. Assim, o Espírito exterior do Mundo recebeu a regência em Adão e em Eva, na Alma de Fogo, que ele conduziu em seguida, com as mentiras da serpente e o seu desejo terrestre, até ao desfrute do fruto proibido.
  6. Nós tornamo-nos dessa forma, filhos deste mundo curvados sob o jugo do Espírito deste mundo, que nos governa pela sua fome insaciável, tão duramente quanto o Faraó governava os filho de Israel;

    de tal forma que nós perseguimos as honras, o renome, o esplendor, a voluptuosidade e a grandeza como se nós devêssemos viver eternamente neste mundo.
  7. Com isso coopera a fome insaciável das almas, vinda do abismo negro, sobre o qual está erguido o mundo;

    e ela leva as almas à luxuria brutal, aos crimes, aos roubos e a todas as perversidades, frutos cuja semente está nela, como se vê na primeira geração de Cain.
  8. O Inimigo dos seres humanos lançou o seu joio sobre o bom grão que vegeta até à colheita, época em que Deus a colhe na sua eira, enquanto que Ele ata em molhos o joio e o lança ao fogo.

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Teosofia Prática – Do corpo animal


  1. É para expor tudo isto ao leitor com algum detalhe que eu lhe quero mostrar nas Figuras a constituição do homem triplo.
  2. A primeira Figura representa o corpo animal.

    (Porque o corpo paradisíaco está destruído e desconhecido.)

    Os sinais mostram as numerosas formas dos elementos que aí se manifestam.
  3. Entre eles, a bílis e o suco gástrico causam a Cocção estomacal, e pelo excesso ou carência de uma ou de outra substância, a Arca se corrompe e todos os tipos de doenças se declaram no corpo.
  4. Vejam a nossa miséria, em que podridão a vida está prisioneira e como a morte a rodeia por todos os lados;

    nós não sabemos se, num instante, um ou outro elemento não se vai sublevar no corpo, abafar a vida, afogá-la, ou secar o húmido radical.
  5. No entanto, nós ocupamo-nos com esse animal, nós o ornamentamos com estofos e tecidos, nós o embelezamos com jóias, pérolas, ouro e prata, nós o enchemos com todos os tipos de alimentos requintados, e nós perdemos frequentemente a nossa alma por causa dele.
  6. Quando nós atingimos esse paraíso terrestre, a morte vem dar o corpo a devorar à terra e aos vermes, e a alma ao Fogo obscuro e infernal: para muitos ela chega cedo e sem se anunciar;

    e ela não se vai embora sem grandes angústias, assim como eu o notei nos agonizantes.
  7. O Espírito de vida desse ser humano terrestre é o ar, com as suas sete Formas, terrestres e Siderais;

    a sua visão é luz do sol;

    o seu Centro é a Treva eterna, que o aprisiona se ele não consegue chegar à regeneração.
  8. Como a alimentação do ser humano está confiada ao grande Espírito sidérico do Mundo e aos elementos, estes últimos empregam-se com toda a sua força por obter a sua direção.

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Teosofia Prática – Do combate entre as sementes


  1. Também, quando Adão e Eva cometeram a infração relativa à árvores do conhecimento do bem e do mal, e que eles foram tornados com efeito brutais e diabólicos segundo o corpo e segundo a alma, o Verbo eterno encerrou-se na Matriz de Eva como recriador e regenerador, e colocou-se como adversário do Diabo na luz de vida.
  2. Desta oposição resultou a inimizade e o combate entre as sementes (Gn 3), de tal forma que de um pai e de uma mãe saem crianças de natureza, de Afeições e de inclinações muito diversas.

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Teosofia Prática – Dos dois fogos


  1. A Escritura revela-nos dois tipos de Fogos: um aceso no céu;

    e um outro, estrangeiro, iluminado na Natureza terrestre e nos elementos inferiores, pela mão do ser humano.
  2. Os sacerdotes do templo exterior costumavam manter aceso este último com madeira:

    mas Deus não aceitou a oferenda deles e confundiu-os com a sua cólera. (Nm 16).
  3. Aí está uma imagem muito bela dos dois fogos espirituais que estão em nós, o fogo do Amor e o fogo da Cólera:

    aquele é o fogo sobrenatural de Deus, que desce do céu interior;

    este é o fogo natural da propriedade da criatura no corpo e na alma, excitado pela má convulsão.
  4. Eles não são mais do que um único fogo, e não se diferenciam a não ser pela dor, como se vê no fogo e na luz físicos;

    ambos são insuflados por Deus em Adão;

    e a convulsão terrestre, e os falsos desejos do primeiro ser humano, separaram-nos um do outro, assim como da divina Harmonia.
  5. Eles lutam agora entre si, no ser humano, mesmo a partir da semente dele;

    e aquele fogo que vence, rege a forma da criança no ventre da sua mãe, assim como as figuras de Caim e da Abel, de Esaú e de Jacó o explicam.
  6. Eles produzem dois tipos de seres humanos, os bons e os maus;

    e isto não acontece devido a uma ordem divina como pretende o entendimento;

    a Escritura santa ensina-nos que Deus só criou um único ser humano. (Ml 2,15 e Gn 1).

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Teosofia Prática – Da queda de Adão


  1. Os dois Fogos (o da Cólera e o do Amor) são eternos, e insuflados pelo Eterno em Adão, cujo corpo estava na origem numa Temperatura equilibrada.
  2. Mas, como a Cólera quis ser manifesta, e tornar-se preponderante em Adão, eles combateram-se pelo consentimento deste: tal foi a sua queda e a sua separação da Matriz de água ou de luz na natureza humana;

    tal foi a corrupção do corpo paradisíaco, substituído durante um sono pelo corpo terrestre, onde residem as doenças e a morte.
  3. Notemos que no combate desta Vida tripla, Adão aspirou os três Princípios, porque ele desejava degustar e provar as qualidades deles: foi por isso que Deus desmembrou a sua vida, assim como ensina claramente Cristo (Lc 15, 12.30).
  4. A Escritura diz que todos os seres humanos vêem de uma semente de pecado;

    nós temos o mesmo modo de aparecer sobre esta terra e de desaparecer dela como os animais, com a diferença de que a alma do ser humano vem do Eterno.
  5. É por isso que nós somos eternos, e os animais são criaturas perecíveis, dos quais não fica nada mais do que a sombra.

    Mas no fim dos tempos, nós ressuscitaremos para o julgamento e a danação eterna ou para a alegria e o esplendor eternos.
  6. Visto que nós sabemos que Deus é justo e verídico, que Ele não pode mentir, abramos os olhos e não vivamos mais como animais, segundo esta carne de onde nos vem toda a nossa corrupção.

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