Teosofia Prática – Da Transmutação da Cólera em Misericórdia


  1. Aqui aplica-se a frase de Cristo «Quem pede receberá, quem procura encontrará, àquele que bater a porta será aberta».

    Porque o tesouro está profundamente enterrado nas almas, guardado pela Cólera de Deus que deve ser antes de tudo vencida por intermédio do Amor de Jesus;

    sem isso, não se encontra nada porque esta Cólera guarda fortemente aquilo que ela devorou.
  2. É por isso, que Cristo nos ensina e nos exorta a lutar, a combater, para passarmos por esta porta estreita;

    é precisa uma aplicação extraordinária, como aquela da qual Jacob fez prova na execução das ordens que Deus lhe deu.
  3. Faz assim:

    envolve-te no amor de Jesus Cristo;

    nunca deixes sair a tua vontade das Suas feridas;

    acredita firmemente nas Suas promessas, porque Deus não pode mentir;

    e não te deixes arrastar para a dúvida pelo teu coração.
  4. Porque a Cólera de Deus penetra no teu corpo e na tua alma pelo Seu Nome agudo e prova até à base se tu estás bem enraizado em Jesus;

    e se ela vê que ela não pode destronar Jesus do teu coração, ela rende-se por fim e não exerce mais a sua agudeza.
  5. Então desponta a aurora do amor de Jesus no teu coração;

    ela Transmuta a Cólera na grande Misericórdia, e eu desejo-te, caro leitor, o sentir e o desfrutar desta sapidez que eu não consigo traduzir por palavras.

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Teosofia Prática – Do começo do seu caminho


  1. Deus é o inimigo dos entendimentos pessoais e arrogantes:

    Ele volta-lhes as costas, porque eles se consideram sábios e eruditos, e porque eles querem ler no livro dos Seus Segredos com os óculos da razão.
  2. Aquele que pede a Deus o Seu Espírito Santo, sem cessar, encontrará a melhor e a mais segura via, e receberá um guia que o conduzirá em todos os abismos, lhe abrirá todas as fechadura e todas as portas;

    é assim que nos prestam testemunho, e que nos ensinam pelo seu exemplo, todas as pessoas iluminadas;

    fora disso, não se encontra nada.
  3. De acordo com isso, o pesquisador esfomeado não limitará o seu Estudo à leitura e à ciência escrita;

    ele pensará também em começar o seu caminho e ao lado da oração assídua, ele odiará a vida terrestre, procurará a interior, assim como eu fiz:

    ele reconhecerá assim que as lições e os ensinamentos vêm de Deus.

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Teosofia Prática - Da alma esfomeada por Deus


  1. Mas como o ser humano se tornou completamente exterior e animal, como ele não procura mais do que os tesouros perecíveis deste mundo, como ele ama a sua vida e desdenha o Bem imperecível, muitas coisas lhe ficam seladas.
  2. Porque o que faria um porco de um colar de ouro ou um pássaro de gaiola de uma pérola?

    Eles os espezinhariam no esterco porque eles não conheceriam o seu valor.
  3. Mas uma alma esfomeada por Deus e pelo Seu conhecimento, agindo na humildade e que procura na simplicidade do seu desejo, encontra em si própria sem um trabalho demasiado grande, demasiado difícil ou demasiado doloroso.

    Porque Deus está perto;

    Ele ama o humilde que se considera completamente indigno do Seu grande amor, e que está frequentemente longe de conceber o conhecimento de Deus.

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A Sabedoria e a sua Virtude - 81. Trabalhar Sem Batalhar



As palavras verdadeiras não são belas,
As palavras belas não são verdadeiras.
A bondade não é eloquente,
A eloquência não é bondosa.
A inteligência não é erudição,
A erudição não é inteligência.

O Sábio evita acumular,
Quanto mais vive para os outros, e mais se enriquece,
Mais dispensa aos outros, e mais é cumulado.

A Sabedoria do Céu: gratificar sem prejudicar,
A Virtude do Sábio: trabalhar sem batalhar.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 80. Contentar-se Com o Que se Tem



Um país pequeno, com muito poucos habitantes,
Pode possuir algumas armas,
Das quais não se deve servir.
Eles devem temer a morte e não devem ir longe.
Mesmo que tivessem barcos e carros,
Que eles os deixem sem utilização.
Mesmo que tivessem armas e armaduras,
Que eles não se sirvam delas de forma nenhuma.
Voltando a preferir o fio com nós,
Que eles achem a sua comida saborosa,
As suas roupas adequadas,
As suas residências cómodas,
Os seus costumes agradáveis.
Desde este país até ao seu vizinho,
Ouve-se o cantar do galo, assim como o ladrar do cão,
Mas ambos morrerão de velhice,
Sem nunca se terem encontrado.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 79. Não Ter Preferências Próprias



Se tu apaziguasses uma grande querela deixando uma pequena ofensa,
Tu não saberias fazer o bem.

O Sábio tem na mão o papel de debitador,
Sem nada exigir do próximo.

Quem quer que tenha a Virtude alivia o seu semelhante,
Quem não a tem, sobrecarrega-o em vão.

A Sabedoria do Céu, sendo sem preferência própria,
Cumula sempre a pessoa de bem.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 78. Suportar os Males do Reino



Nada é mais flexível no mundo e mais fraco do que a água,
Mas para domar o duro e o forte, nada a ultrapassa,
Nada seria capaz de tomar o seu lugar.

Que a fraqueza prime sobre a força,
E a flexibilidade sobre a dureza.
Não há ninguém debaixo do Céu que não o saiba,
Mas não há ninguém que o consiga praticar.

Também o Sábio:
Assumir as nódoas do reino,
É ser o senhor dos templos da Terra.
Suportar os males do reino,
É ser rei do universo.

Porque o verdadeiro soa a falso.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 77. Dar ao Mundo a Sua Riqueza



A Sabedoria do Céu? Um arco retesado:
O alto verga, o baixo ergue-se.
O excedente é aplainado,
Compensada, a falta.

Assim, a Sabedoria do Céu tira ao excedente,
Para compensar a falta.
Mas a sabedoria dos humanos tira ao indigente,
Para engordar o rico.

Quem dará ao mundo o seu excesso de riqueza,
Senão aquele que possui a Sabedoria?

O Sábio realiza sem orgulho,
Aperfeiçoa sem ostentação,
E mantém o seu mérito na sombra.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 76. Ser Fraco e Humilde



Um ser vivo nasce fraco e flexível,
Um morto é duro e rígido.
Este ramo fraco e gracioso,
Morto, murcha e seca.
Companheiros da morte, são o duro e o rígido,
Companheiros da vida, são o fraco assim como o flexível.
Esta potência armada não terá vitória nenhuma,
E esta árvore alta será derrubada.
A altura e a força são baixas,
É a fraqueza e é a humildade que são sublimes.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 75. Não Aspirar a Viver Bem Demais



O povo está esfomeado.
É porque os grandes o taxam sem misericórdia,
Eis o que o torna esfomeado.

O povo está intratável.
É porque os grandes se metem nos assuntos dele,
Assim o tornam intratável.

Ele não teme a morte.
É porque o seu governante aspira a viver bem demais,
Eis porque o povo não teme a morte.

Só o Sábio, que não aspira a viver bem demais,
Lhe torna a vida possível.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 74. Não Talhar a Madeira em vez do Carpinteiro



Para que serve agitar o espectro da morte,
Aos olhos de quem não teme a morte? 1
Se o povo temesse a morte,
E se nós apanhássemos os que violam a lei,
Para os condenarmos à morte,
Quem ainda cometeria faltas?

A Grande Executora 2 está sempre lá para matar.
É realmente a tua função o matares em seu lugar?
Seria como talhares a madeira em vez do grande carpinteiro.
Mas, a talhar a madeira em vez do grande carpinteiro,
Grande malandro quem não se magoa.


Notas
  1. Porque um regime injusto lhe torne a vida insuportável (ver o poema seguinte). Então, os castigos não têm efeito. [  ]
  2. A Sabedoria. [  ]

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A Sabedoria e a sua Virtude - 73. Trabalhar Sem se Esforçar



O bravo temerário faz-se matar,
O bravo circunspecto fica vivo.
Das duas formas de proceder,
Uma é benéfica e a outra é prejudicial.

Das aversões do Céu,
Quem sabe o porquê?
Mesmo o Sábio esbarra aí.

A Sabedoria do Céu é aquela
Que vence sem batalhar,
Que responde sem falar,
Que vem sem que seja chamada,
E que trabalha sem se esforçar.

Entre as suas largas malhas,
A grande rede do Céu não deixa nada escapar.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 72. Amar o Interior



Quando o povo já não tem mais medo do poder,
É porque um Poder maior se aproxima.

Não te imiscuas levianamente nos lares,
E quando tu taxas, não tenhas a mão demasiado pesada.
Deixa portanto de cansar o povo,
Ele deixará de se cansar de ti.

O Sábio conhece-se mas não se vangloria,
Ele faz amizade sem se colocar muito alto.
É o interior, não o exterior, que ele ama.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 71. Ver o Conhecimento como Falta de Conhecimento



Ver o conhecimento como falta de conhecimento, eis o bem.
Ver a falta de conhecimento como conhecimento, eis o mal.
Somos curados de um mal que consideramos ser um mal.
O Sábio não está mal, é o seu mal que está mal,
Quanto a ele próprio, ele está muito bem.


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