A Sabedoria e a sua Virtude - 53. Caminhar na Sabedoria



Se eu tivesse um grão de inteligência,
Eu caminharia na Grande Sabedoria,
Não temendo senão afastar-me dela.

A Grande Sabedoria é una e reta,
Mas a multidão gosta de dar voltas.

Os palácios estão bem limpos,
Mas os campos estão cheios de ervas daninhas,
E os celeiros vazios.

Vejam estas ricas roupas,
Estes possuidores de espadas cortantes,
Atulhados de beber, de comer,
Assegurando apenas as suas necessidades.

Caminhos de banditagem,
Mas não de Sabedoria.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 52. Cultivar o Constante



O que está sob o céu tem uma origem,
Na qual eu vejo a Mãe do que está sob o céu.
Quem aprende a Mãe,
Conhecerá rapidamente os Seus filhos.
Mas desde que conheça os Seus filhos,
Ele regressa para aderir à Mãe,
E não incorrerá durante a sua vida em nenhum perigo.
Bloqueia todas as passagens,
Fecha todas as portas,
Atinge, sem te esgotares, o fim da tua vida.
Abre todas as passagens,
Multiplica as necessidades,
Ficas sem socorro no fim da tua vida.
Quem conseguir ver o ínfimo tem a visão interior,
Quem aprende a ceder é mestre da força.
Utiliza a luz,
E regressa à visão interior.
Evita atraíres as desgraças sobre a tua cabeça,
Isto é cultivares o Constante.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 51. Adorar a Sabedoria e Venerar a Virtude



A Sabedoria dá-lhes vida,
A Virtude eleva-as,
A espécie forma-as,
O meio completa-as.
Também é assim iminentemente que todas as coisas,
Adoram a Sabedoria e veneram a Virtude.
Não que adorar a Sabedoria,
E venerar a Virtude,
Sejam deveres ditados: são inclinações naturais.
Assim portanto é a Sabedoria que lhes dá a vida,
É a Virtude que as eleva,
Que as sustenta e as faz crescer.
Que as abriga e as conforta,
Que as alimenta e as protege.

Dar a vida sem nada reivindicar,
Realizar a sua necessidade e não se gabar.
Guiar o povo e não o oprimir,
O que é isso senão a Virtude misteriosa?


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A Sabedoria e a sua Virtude - 50. Não Sobrecarregar



Quando se sai da vida, entra-se na morte.
Treze são os companheiros da vida,
Treze são os companheiros da morte,
Treze são os companheiros daqueles que vão para a Terra da Morte. 1

Como assim? Porque se sobrecarrega a vida.
Quem conhece a arte de governar a sua vida,
Não tem motivos para temer os tigres durante a viagem,
Nem, na guerra, as armas inimigas.

O búfalo não sabe como encorná-lo,
O tigre não sabe como agatanhá-lo,
A espada não sabe como golpeá-lo.
Porquê assim?
Porque eles não encontram nele o ponto mortal.


Notas
  1. Passagem obscura. Segundo Han-Fei-tzeu, os treze companheiros são os quatro membros e as nove aberturas do corpo; os quais devem ser usados prudentemente por forma a conservara a vida; se houver abuso, eles serão a escolta para a morte. [  ]

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A Sabedoria e a sua Virtude - 49. Conservar o Coração Simples



Para o Sábio, nada de espírito próprio,
O espírito do povo, esse é o seu próprio espírito.

Bom para os bons,
E bom também para aqueles que não são,
Porque a própria Virtude é boa.

Fiel para as pessoas fieis,
Fiel também para aqueles que não são,
Porque a Virtude é fiel.

O Sábio debaixo do céu,
Pudico e apagado,
Conserva o seu coração indistintamente simples,
Para com o que está debaixo do céu.

Quando o vulgar,
Esbugalha os olhos e estica as orelhas,
Ele sorri-lhe como uma criança pequena.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 48. Não Forçar



Aprender é dia a dia crescer,
Seguir a Sabedoria é dia a dia decrescer.
Decrescer mais decrescer,
Até ao não forçar.
Pelo não forçar, não há nada que não se possa fazer.
É pelo não forçar que se ganha o universo.
Forçar para um fim,
É ser impróprio para ganhar o universo.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 47. Trabalhar sem Forçar



Sem franqueares a soleira da porta,
Conhece as vias debaixo do céu.
Sem olhares pela janela,
Conhece a Sabedoria do Céu.

Quanto mais longe vais,
Menos conheces.

O Sábio conhece sem viajar,
Compreende sem expiar,
Trabalha sem forçar.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 46. Contentar-se sem Cessar



Se o mundo tem a Sabedoria,
Os cavalos sem sela empenham-se nos labores.
Mas se não tem a Sabedoria,
Os cavalos de combate polulam nos subúrbios.

Não há maior crime do que excitar a inveja,
Não há maior desgraça do que ser insaciável,
Não há maior flagelo do que o espírito do apetite,
Quem se contenta, contenta-se sem cessar.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 45. Quietude e Repouso



A perfeição suprema parece imperfeita,
A sua utilização é inesgotável.
A plenitude suprema parece vazia,
A sua utilização é ilimitada.
A retidão suprema parece sinuosa,
A habilidade suprema, desajeitada,
A eloquência suprema, balbuciante.

A inquietação 1 triunfa sobre o frio,
O repouso triunfa sobre o calor,
Quietude e repouso são as normas do mundo.


Notas
  1. O movimento, a ação. [  ]

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