A Sabedoria e a sua Virtude - 53. Caminhar na Sabedoria



Se eu tivesse um grão de inteligência,
Eu caminharia na Grande Sabedoria,
Não temendo senão afastar-me dela.

A Grande Sabedoria é una e reta,
Mas a multidão gosta de dar voltas.

Os palácios estão bem limpos,
Mas os campos estão cheios de ervas daninhas,
E os celeiros vazios.

Vejam estas ricas roupas,
Estes possuidores de espadas cortantes,
Atulhados de beber, de comer,
Assegurando apenas as suas necessidades.

Caminhos de banditagem,
Mas não de Sabedoria.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 52. Cultivar o Constante



O que está sob o céu tem uma origem,
Na qual eu vejo a Mãe do que está sob o céu.
Quem aprende a Mãe,
Conhecerá rapidamente os Seus filhos.
Mas desde que conheça os Seus filhos,
Ele regressa para aderir à Mãe,
E não incorrerá durante a sua vida em nenhum perigo.
Bloqueia todas as passagens,
Fecha todas as portas,
Atinge, sem te esgotares, o fim da tua vida.
Abre todas as passagens,
Multiplica as necessidades,
Ficas sem socorro no fim da tua vida.
Quem conseguir ver o ínfimo tem a visão interior,
Quem aprende a ceder é mestre da força.
Utiliza a luz,
E regressa à visão interior.
Evita atraíres as desgraças sobre a tua cabeça,
Isto é cultivares o Constante.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 51. Adorar a Sabedoria e Venerar a Virtude



A Sabedoria dá-lhes vida,
A Virtude eleva-as,
A espécie forma-as,
O meio completa-as.
Também é assim iminentemente que todas as coisas,
Adoram a Sabedoria e veneram a Virtude.
Não que adorar a Sabedoria,
E venerar a Virtude,
Sejam deveres ditados: são inclinações naturais.
Assim portanto é a Sabedoria que lhes dá a vida,
É a Virtude que as eleva,
Que as sustenta e as faz crescer.
Que as abriga e as conforta,
Que as alimenta e as protege.

Dar a vida sem nada reivindicar,
Realizar a sua necessidade e não se gabar.
Guiar o povo e não o oprimir,
O que é isso senão a Virtude misteriosa?


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A Sabedoria e a sua Virtude - 50. Não Sobrecarregar



Quando se sai da vida, entra-se na morte.
Treze são os companheiros da vida,
Treze são os companheiros da morte,
Treze são os companheiros daqueles que vão para a Terra da Morte. 1

Como assim? Porque se sobrecarrega a vida.
Quem conhece a arte de governar a sua vida,
Não tem motivos para temer os tigres durante a viagem,
Nem, na guerra, as armas inimigas.

O búfalo não sabe como encorná-lo,
O tigre não sabe como agatanhá-lo,
A espada não sabe como golpeá-lo.
Porquê assim?
Porque eles não encontram nele o ponto mortal.


Notas
  1. Passagem obscura. Segundo Han-Fei-tzeu, os treze companheiros são os quatro membros e as nove aberturas do corpo; os quais devem ser usados prudentemente por forma a conservara a vida; se houver abuso, eles serão a escolta para a morte. [  ]

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A Sabedoria e a sua Virtude - 49. Conservar o Coração Simples



Para o Sábio, nada de espírito próprio,
O espírito do povo, esse é o seu próprio espírito.

Bom para os bons,
E bom também para aqueles que não são,
Porque a própria Virtude é boa.

Fiel para as pessoas fieis,
Fiel também para aqueles que não são,
Porque a Virtude é fiel.

O Sábio debaixo do céu,
Pudico e apagado,
Conserva o seu coração indistintamente simples,
Para com o que está debaixo do céu.

Quando o vulgar,
Esbugalha os olhos e estica as orelhas,
Ele sorri-lhe como uma criança pequena.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 48. Não Forçar



Aprender é dia a dia crescer,
Seguir a Sabedoria é dia a dia decrescer.
Decrescer mais decrescer,
Até ao não forçar.
Pelo não forçar, não há nada que não se possa fazer.
É pelo não forçar que se ganha o universo.
Forçar para um fim,
É ser impróprio para ganhar o universo.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 47. Trabalhar sem Forçar



Sem franqueares a soleira da porta,
Conhece as vias debaixo do céu.
Sem olhares pela janela,
Conhece a Sabedoria do Céu.

Quanto mais longe vais,
Menos conheces.

O Sábio conhece sem viajar,
Compreende sem expiar,
Trabalha sem forçar.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 46. Contentar-se sem Cessar



Se o mundo tem a Sabedoria,
Os cavalos sem sela empenham-se nos labores.
Mas se não tem a Sabedoria,
Os cavalos de combate polulam nos subúrbios.

Não há maior crime do que excitar a inveja,
Não há maior desgraça do que ser insaciável,
Não há maior flagelo do que o espírito do apetite,
Quem se contenta, contenta-se sem cessar.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 45. Quietude e Repouso



A perfeição suprema parece imperfeita,
A sua utilização é inesgotável.
A plenitude suprema parece vazia,
A sua utilização é ilimitada.
A retidão suprema parece sinuosa,
A habilidade suprema, desajeitada,
A eloquência suprema, balbuciante.

A inquietação 1 triunfa sobre o frio,
O repouso triunfa sobre o calor,
Quietude e repouso são as normas do mundo.


Notas
  1. O movimento, a ação. [  ]

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A Sabedoria e a sua Virtude - 44. Contentar-se com Pouco e Parar a Tempo



Entre a fama e o corpo 1, qual é o mais precioso?
Entre o corpo 1 e a riqueza, qual é o mais estimável?
Entre a perda e o ganho, qual é o mais doloroso?

Quem muito ama será cruelmente frustrado,
Quem muito junta aumentará a sua perda.
Contentar-se com pouco é evitar a desgraça,
Parar mesmo a tempo é prevenir todo o perigo.

De outra forma, não há vida longa.


Notas
  1. A saúde. [  ]

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A Sabedoria e a sua Virtude - 43. Falar Pouco e Não Forçar



O mais flexível deste mundo,
Prima sobre o mais rígido.
Só o nada se insere no que não tem falhas,
Por isso eu reconheço a eficácia do não forçar.

A lição do falar pouco,
E a eficácia do não forçar,
Nada seria capaz de os igualar.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 42. Buscar a Harmonia



Da Sabedoria nasce o Um,
Do Um nasce o Dois,
Do Dois nasce o Três.
O Três gerou dez mil,
Os dez mil trazem o passivo às costas, e o ativo nos braços,
Buscando a harmonia nas suas respirações.
Quem quer ser órfão, viúvo, indigente?
São nomes, no entanto, que os príncipes se atribuem.
Quem ganha perde, e quem perde ganha.

Eu ensino depois de outros:
"Ao violento, morte violenta",
Que a pessoa que diz isto seja o meu mestre!


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A Sabedoria e a sua Virtude - 41. Sustentar e Completar



Quando a pessoa elevada ouve a Sabedoria,
Abraça-a com zelo.
Quando a pessoa média ouve a Sabedoria,
Agarra-a e deixa-a.
Quando a pessoa inferior ouve a Sabedoria,
Rebenta a rir.
A Sabedoria, se ele não risse, não seria mais a Sabedoria.

Os antigos diziam:

A Sabedoria que ilumina parece tenebrosa,
A Sabedoria do progresso parece retrograda,
A Sabedoria plana parece irregular,
E a Virtude suprema parece abismo.

A brancura brilhante parece obscura,
A Virtude que abunda parece insuficiente,
A Virtude bem assente parece titubiante,
E a Virtude verdadeira parece empobrecida.

O Grande Quadrado não tem esquinas,
O Grande Vaso é lento a encher,
A Grande Música é muda,
A Grande Forma não tem contornos.

Escondido, sem nome, o Sábio
Sustenta e completa.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 40. Regressar



O regresso é o movimento da Sabedoria,
A fraqueza é o seu costume.
Todas as coisas sob o céu nascem do que é,
O que é, nasce do que não é.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 39. Não Brilhar nem Fenecer



Eis o que antigamente atingiu o Um:
O Céu atingiu o Um e tornou-se claro,
A Terra atingiu o Um e tornou-se calma,
Os Espíritos atingiram o Um, daí o seu poder,
Os cursos de água atingiram o Um e replicaram-se,
Os seres atingiram o Um e multiplicaram-se,
O príncipes atingiram o Um e reinaram sobre o mundo.

Se o Céu não fosse claro, cairia em pó, Se a Terra não fosse calma, desmoronar-se-ia,
Se os Espíritos não fossem poderosos, não existiriam,
Se os cursos de água se esvaziassem, secariam,
Se os seres não se multiplicassem, extinguir-se-iam,
Se os príncipes não fossem eminentes, cairiam.

A Humildade é a raiz da grandeza,
E o baixo é o fundamento do alto.
Também, príncipes e duques, se chamam a si próprios:
"Órfãos", "viúvos", "indigentes" 1.
Não veriam eles a humildade como fundamento?

Excesso de honra iguala-se a desonra.
O Sábio não quer ser brilhante como um jade,
Nem soar como um tambor de pedra.


Notas
  1. Cortesia de grande senhor. [  ]

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A Sabedoria e a sua Virtude - 38. Rejeitar a Flor e Adotar o Fruto



A virtude superior não possui 1 a Virtude e por isso mesmo a possui,
A virtude inferior não perde 2 a Virtude e por isso mesmo a perde.
A virtude superior não força nem calcula,
A virtude inferior tanto força como calcula.
O amor superior força mas não calcula,
A justiça superior tanto força como calcula,
A polidez superior força e, se tem falta, arregaça as mangas.

Por isso foi dito:
Depois da perda da Sabedoria vem a Virtude,
Depois da perda da Virtude vem o Amor,
Depois da perda do Amor vem a Justiça,
Depois da perda da Justiça vêm os ritos.

O rito é a casca da sinceridade e da fidelidade, mas também a fonte da desordem.
A presciência é a flor da Sabedoria, mas também o umbral da ignorância.
O Sábio apoia-se no sólido e não na flor efémera,
Prezando o fruto e desprezando a flor,
Ele rejeita esta e adota aquele.


Notas
  1. Conscientemente. [  ]
  2. De vista. [  ]

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A Sabedoria e a sua Virtude - 37. Simplicidade sem Desejos



A Sabedoria nunca força, no entanto tudo é feito por ela.
Se apenas príncipes e duques lhe obedecessem,
Todas as coisas se moveriam por si próprias sob o céu.
Mas se alguma se ativasse,
A "simplicidade sem nome" saberia mantê-la,
A "simplicidade sem nome" é "sem desejos",
"Sem desejos" é Tranquilidade,
O mundo permaneceria então na Quietude.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 36. Deixar as Armas na Sombra



O que é para fechar,
É preciso antes abrir.
Antes consolidar,
O que é para fletir.
Antes favorecer,
O que é para destruir.
E antes dispensar,
O que é para adquirir.
O flexível vence o duro, o fraco vence o forte.
Vale mais que o peixe permaneça em águas profundas,
E as armas dum Estado na sombra.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 35. Não Prejudicar



Quem possui o Grande Símbolo 1,
Todos se vão até ele sob o céu,
Eles não encontram nenhum prejuízo,
Mas segurança, paz e alegria.
A música e a boa carne,
Sabem aliciar aqueles que passam,
Mas as palavras da Sabedoria,
Sendo sem tempero nem gosto,
Tu olhas para Ele 2 e não o vês,
Tu escutas o que Ele diz e não o ouves,
Mesmo sendo Ele inesgotável.


Notas
  1. O Grande Símbolo é a Grande Forma sem contornos, espelho e virtualidade de todas as coisas, a Sabedoria. [  ]
  2. O Grande Símbolo. [  ]

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A Sabedoria e a sua Virtude - 34. Esquecer a sua Grandeza



A Grande Sabedoria derrama-se como um rio,
Quem lhe diz para ir à direita ou à esquerda?
Cada um depende d’Ela para viver,
Ela não se afasta de ninguém.
Ela realiza as suas obras,
Mas não se apropria delas.
Ela veste e alimenta todos os seres,
Mas sem os subjugar, sendo humilde.
Todos regressam ao seu regaço,
Sem se subjugarem porque Ela é grande.
É no esquecimento da sua grandeza,
Que a sua grandeza se realiza.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 33. Enfrentar a Morte sem Desfalecer



Quem conhece os outros é inteligente,
Quem se conhece a si próprio é iluminado.
Quem vence os outros é forte,
Quem se vence a si próprio é poderoso.
Quem se contenta é rico,
Quem caminha com passo firme é mestre da vontade.
Quem fica no seu lugar tem vida longa,
Quem enfrenta a morte sem desfalecer terá longevidade.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 32. Saber parar



Eterna, sem nome, é a Sabedoria.
Pequena na sua simplicidade primeira,
Nada no mundo a ultrapassa.
Se os duques e os príncipes lhe aderissem,
Todos lhes prestariam homenagem.
Do Céu e Terra em harmonia,
Cairia um suave orvalho.
O povo sem nenhum constrangimento,
Por si próprio se organizaria.
Desde que uma instituição surge, nascem os nomes,
E desde quando os nomes nascem,
É o momento de parar.
Saber parar previne o perigo.
A Sabedoria é para este mundo,
O que são o rio e o mar para o regato e para o vale.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 31. Evitar a Guerra



As armas são utensílios de desgraça,
Ninguém gosta delas,
E a pessoa da Sabedoria vira-lhes as costas.
Para a pessoa de bem, a esquerda é o lugar de honra 1,
Mas na guerra, é a direita.
Visto que as armas são instrumentos de desgraça,
Não convém à pessoa de bem servir-se delas.
Se a necessidade não lhas coloca na mão,
É a quietude e a paz que deve prezar.
Com a vitória, não se rejubila,
Porque rejubilar-se com a vitória,
É rejubilar com o massacre de pessoas,
E quando se rejubila com o massacre de pessoas,
Como se pode prosperar entre elas ?
A esquerda é o lugar de honra nas horas fastas 1,
E a direita nas horas nefastas.
Na guerra, o general adjunto do exército fica à esquerda,
O general em chefe, à direita,
Igualando assim a guerra com os funerais.
Pela morte de um grande número de pessoas,
É justo fazer luto, como é justo,
Acompanhar a vitória com ritos fúnebres.


Notas
  1. Costume próprio de Tch’ou, onde Lao Tsé habitava. [  ]

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A Sabedoria e a sua Virtude - 30. Ser Resoluto



O governante que se mantém dentro da Sabedoria,
Não procura primar pelas armas,
Porque primar pelas armas apela à retaliação.
Onde acampam os exércitos, crescem os espinhos.
A penúria coroou sempre os combates.
O bom defende-se com resolução, mas não mais;
Não conquista nada pela força,
É resoluto sem orgulho,
Resoluto sem ostentação,
Resoluto sem provocação,
Resoluto por necessidade,
Resoluto sem nenhum desejo de dominar.
Quem é presunçoso caminha para o declínio,
Porque vai contra a Sabedoria.
Tudo o que vai contra a Sabedoria corre para a sua perda.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 29. Evitar a Extravagância



Quem se quer apoderar do mundo para se servir dele,
Corre para o revés.
O mundo é um vaso sagrado,
Que não suporta que se apoderem ou se sirvam dele.
Quem se serve dele, destrói-o,
Quem se apodera dele, perde-o.

Uns abrem a marcha e outros seguem-na,
Uns têm a respiração ligeira e outros forte,
Uns são vigorosos e outros são débeis,
Uns ficam de pé e outros caem.

O Sábio evita
Todo o excesso, todo o extremo e toda a extravagância.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 28. Ser o Bloco Virgem



Conhece em ti o agressivo,
Mas adere ao pacífico.
Faz-te Ravina do mundo;
Ser Ravina do mundo,
É fazer corpo com a Virtude imutável,
É regressar à Infância.

Conhece em ti o branco,
Mas adere ao negro.
Faz-te Norma do mundo;
Ser Norma do mundo,
É caminhar com a Virtude imutável,
É regressar ao Ilimitado.

Conhece em ti a glória,
Mas adere à obscuridade.
Faz-te Vale do mundo;
Ser Vale do mundo,
É ter plenamente a Virtude imutável,
É regressar ao Simples.

O bloco do Simples primordial,
É talhado com utensílios.
Mas o Sábio é o bloco virgem,
Que o Simples adota como ministro,
Porque o Mestre da Arte não cuida de o talhar.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 27. Seguir a Luz



Quem caminha bem, não deixa rasto,
Quem fala bem, discursa sem falhas,
Quem conta bem, não usa calculadora,
Quem fecha bem, não usa trancas e ninguém abre,
Quem amarra bem, não usa cordas e ninguém desata.
O Sábio está sempre pronto para fazer bem às pessoas,
Sem exceção de ninguém.
O Sábio está sempre pronto para fazer bem às coisas,
Sem exceção de nenhuma.
Isto é seguir a Luz.
O bom modela o mau,
O mau é o material do bom.
Se aquele não venera o mestre,
Se este não organiza o material,
O mau extravia-se.
Este é o segredo essencial.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 26. Ser Pesado e Tranquilo



O Pesado é a raiz do Ligeiro,
O Tranquilo é o senhor do Inquieto.
Assim, o Sábio viaja todo o dia,
Sem sair do seu carro pesado,
Apesar dos espetáculos maravilhosos,
Permanece em paz no seu íntimo.
Tu que tens mil carros pesados,
Porque és ligeiro?
O ligeiro perde rapidamente a raiz,
E o inquieto perde o domínio de si.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 25. Seguir os caminhos da Terra



Existia qualquer coisa, não definida mas realizada,
Nascida antes do Céu e da Terra.
Silenciosa e ilimitada,
Independente e inalterável,
Circula por toda a parte sem fadiga.
Em suma, é a Mãe do mundo,
Não sabendo o seu nome, eu chamo-lhe Sabedoria.
À falta de melhor, eu digo que ela é grande,
Grandeza significa extensão,
Extensão, que se atinge ao longe,
Atingir ao longe, fazer Retorno.

Ora portanto,
A Sabedoria é Grande.
O Céu é grande,
A Terra é grande,
E o Ser Humano é grande.
Eis porque o Ser Humano é um dos quatro Grandes do mundo.
O Ser Humano segue os caminhos da Terra,
A Terra segue os caminhos do Céu,
O Céu segue os caminhos da Sabedoria,
E a Sabedoria segue os seus próprios caminhos.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 24. Afastar as presunções vãs



Quem se eleva na ponta dos pés, vacila,
Quem caminha com passos gloriosos, anda pouca distância,
Quem se exibe, não tem brilho,
Quem se afirma, não se impõe,
Quem se glorifica, não vê reconhecido o seu mérito,
Quem se vangloria dos seus sucessos, prepara a sua queda.
Estas atitudes são para a Sabedoria,
Rebuços de fanfarrão ou presunções vãs,
Que repugnam a todos e a cada um,
E a pessoa da Sabedoria afasta-se delas.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 23. Fazer Um com a Sabedoria e a Virtude



Fala pouco,
Deixa andar.
Um vendaval não dura toda a manhã,
Um aguaceiro não dura todo o dia.
Mas quem faz o aguaceiro e o vento? É o Céu e a Terra.
Se a obra do Céu e da Terra não é durável,
O que dizer da obra humana ?
Quem cultiva a Sabedoria faz um com a Sabedoria,
Quem cultiva a Virtude, um com a Virtude,
Quem coteja a Perdição, um com ela.
Ora quem faz um com a Sabedoria, a Sabedoria imediatamente o acolhe,
Quem faz um com a Virtude, a Virtude abre-lhe os braços,
E quem faz um com a Perdição, então a Perdição recebe-o.
A falta de fé chama
A falta de fé.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 22. Ficar Inteiro



Dobra-te, ficarás inteiro,
Curva-te, serás reerguido,
Esvazia-te, para seres enchido,
Gasto, serás rejuvenescido.
Possui pouco, esse pouco frutificará,
Muito, esse muito perder-se-á.
O Sábio abraça o Um, em vez das criaturas,
Tornando-se num modelo.
Não se exibe e imediatamente resplandece,
Não se justifica, o que faz com que seja exaltado,
Não se glorifica, para seu maior crédito,
Cala os seus sucessos e por isso mantém-se,
Não rivalizando não tem rival.
O ditado antigo: Dobra-te, ficarás inteiro,
Não é uma palavra vã,
Fica inteiro, tudo virá a ti.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 21. Contemplar o Princípio das Coisas



A Grande Virtude por natureza,
Segue a Sabedoria e só a Sabedoria.

A Sabedoria é, para o mundo das coisas,
Ilusão evanescente.
Ilusão evanescente,
Mas na qual se encontram formas.
Ilusão evanescente,
Mas na qual se encontram coisas.
Uma miragem crepuscular,
Mas habitada por essências,
E por sólidas promessas.

Desde os tempos antigos até hoje,
O seu nome manteve-se,
Na contemplação do Princípio das coisas.
Como posso eu saber,
Que era assim no Princípio das coisas?
Por tudo aquilo que acabo de dizer!


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A Sabedoria e a sua Virtude - 20. Abandonar a Vulgaridade



Abandona o estudo e assim a preocupação.
Em que diferem sim e não?
Em que diferem bem e mal?
Aquilo que assusta os outros, deve assustar-me?
Que insondável absurdo!
Todos se inflamam e se exaltam,
Como se festejassem o Sacrifício do Boi,
Ou subissem às Torres da Primavera.
Só eu permaneço em paz, imperturbável,
Como um recém-nascido que ainda não sorriu,
Desprendido como um sem abrigo.
Todos amontoam e arrecadam,
Só eu pareço desprovido.
Que inocente pareço!
Que idiota sou!
Todos parecem malandros malandros,
Só eu me calo me calo.
Flutuante como o mar,
Eu vou e venho sem cessar.
Todos têm qualquer atividade,
Só eu me abstenho,
Incivil e teimoso.
Porquê tão singular?
Porque eu sei mamar na minha Mãe.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 19. Regressar à Simplicidade



Abandona a tua sagacidade e a tua inteligência,
O povo terá assim cem vezes mais proveito.
Abandona a tua justiça e a tua humanidade,
Tu verás reflorir o amor do pai pelo filho.
Abandona a tua esperteza e o teu espírito do lucro,
Tu verás desaparecer escroques e malandrins.
No entanto estes três preceitos são acessórios,
Para governar é preciso:
Agarrar o simples e abraçar o primitivo,
Reduzir o seu egoísmo e refrear os seus desejos.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 18. Preservar os Bons Costumes



Quando a Grande Sabedoria foi abandonada,
Nasceram o amor e a justiça.
Com a razão e o espírito,
Nasceram enfeudamentos hipócritas.
Da discórdia dos seis parentescos 1,
Nasceu a piedade filial e o amor paternal.
Da desordem e noite no reino,
Nasceu a lealdade.


Notas
  1. Os seis parentescos: pai e filho, irmão mais velho e irmão mais novo, marido e esposa, e o recíproco. [  ]

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A Sabedoria e a sua Virtude - 17. Ser Ignorado



O melhor Governante é ignorado 1 pelo povo,
Em seguida vem aquele que o povo ama e louva,
Depois aquele que teme,
Por fim aquele que despreza.
Se tu perdes a confiança nos outros,
Os outros perdem a confiança em ti.
O Sábio é apagado e pessoa de poucas palavras,
Quando faz o seu trabalho, então que cada um prospere,
Eis o fruto dos nossos esforços! clamam cem vozes.


Notas
  1. Certos textos têm: «O maior governante é conhecido pelo povo.» A presente lição pareceu-nos mais conforme ao espírito de Lao Tsé. [  ]

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Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 17. Ser Ignorado

A Sabedoria e a sua Virtude - 16. Regressar à Raiz



Atinge a Suprema Vacuidade,
E mantém-te em Quietude.
Face à agitação fervilhante das coisas,
Eu contemplo o seu Retorno.
Porque todas as coisas depois de terem florido,
Retornam à sua raiz.
Retornar à raiz chama-se Quietude,
Chama-se retorno ao Destino.
Retorno ao Destino chama-se Constância,
Conhecer a Constância é a Iluminação.
Não conhecer a Constância,
É correr cego para a infelicidade.
Quem conhece a Constância,
Abraça e chega a tudo.
Quem abraça e chega a tudo, será justo,
Sendo justo, será real,
Sendo real, será celeste,
Sendo celeste, fará um com a Sabedoria,
E fazendo um com a Sabedoria persistirá,
Durante toda a sua vida escapa ao perigo.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 15. Evitar a Plenitude



O Governante dos tempos antigos,
Era subtil, penetrante, maravilhoso e profundo.
Demasiado profundo para ser sondado,
Eu sou muito audacioso ao desenhar a sua figura.
Ele era hesitante como é no inverno,
Aquele que atravessa um vau.
Tímido como alguém perante os seus vizinhos,
Por todos os quatro lados.
Circunspecto como um convidado,
Cedendo como gelo que derrete.
Puro e simples como um bloco virgem,
Vazio como um vale,
Turvo como um tanque lamacento.
Quem do turvo ao claro sabe passar sem se mexer?
Quem da inércia ao animado sabe passar movendo-se?
Aquele que tem a Sabedoria não tenta estar cheio.
E como não está cheio,
Sofre a usura dos anos sem declinar.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 14. Conhecer a Origem



Os teus olhos não conseguem vê-la,
O seu nome é Sem Forma.
Os teus ouvidos não conseguem ouvi-la,
O seu nome é Sem Ruído.
As tuas mãos não conseguem agarrá-la,
O seu nome é Sem Corpo.
Insondável qualidade tripla,
E que se funde na unidade.
O seu superior não é claro,
O seu inferior não é escuro.
Move-se sem cessar, sem nome,
Até que tenha regressado,
Ao reino das Sem Coisas.
Forma informe, imagem sem corpo,
Ilusão evanescente.
Acolhe-a, não vês a sua cabeça,
Segue-a, não vês a sua cauda.
Toma as rédeas da antiga Sabedoria,
E terás nas mãos as contingências presentes.
Saber o que ela foi na origem,
É o ponto nodal da Sabedoria.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 13. Amar o Mundo



Acolhe a graça e a desgraça como uma surpresa,
Ama a tribulação como o teu próprio corpo.
Como se deve entender:
“Acolhe a graça e a desgraça como uma surpresa”?
A graça é superior,
A desgraça é inferior,
Obtê-las é uma surpresa,
Assim se deve entender:
“Acolhe a graça e a desgraça como uma surpresa”.
Como se deve entender:
“Ama a tribulação como o teu próprio corpo”?
A tribulação vem do facto de eu ter um corpo.
Se eu não tivesse um corpo,
Onde é que a tribulação me poderia atingir?
Assim se deve entender:
“Ama a tribulação como o teu próprio corpo”.
Quem tem por excelente dar-se ao mundo,
Que lhe emprestem o mundo.
Mas quem cede ao amor quando se dá ao mundo,
Que lhe dêem o mundo.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 12. Controlar os Sentidos



As cinco cores cegam o ver,
Os cinco tons ensurdecem o ouvir,
Os cinco sabores estragam o paladar.
As corridas e as caçadas atordoam,
Os bens raros incitam ao mal.
Por isso o Sábio,
Ocupa-se do ventre e não do olho,
Prefere o interior ao exterior.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 11. Usar o Que Não Há



Trinta raios convergem para o centro,
Mas é o vazio do centro,
Que faz andar o carro.
A argila é moldada para fazer vasos,
Mas é o vazio interior,
Que determina a sua utilização.
Não há casa que não seja fendida por portas e janelas,
Mas é também o vazio,
Que permite a habitação.
O ser tem capacidades,
Que o não ser 1 utiliza.


Notas
  1. Recordemos que o não ser – de que o vazio oferece a imagem – não é aqui o nada absoluto, mas o Princípio incognoscível. [  ]

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A Sabedoria e a sua Virtude - 10. Ser Guia e não Mestre



Poderás tu fazer com que a tua alma abrace o Um,
Numa união indissolúvel?
Poderás tu, concentrando a tua respiração 1, tornares-te
Tão flexível quanto um recém-nascido?
Poderás tu purificar a tua visão interior,
Até a tornares imaculada?
Poderás tu amar o povo e governar o Estado,
Sem usar de subtileza?
Poderás tu abrir e fechar os batentes do Céu 2,
Desempenhando o papel feminino?
Poderás tu tudo ver e tudo conhecer,
Cultivando o não forçar ?

Eleva os seres, alimenta-os,
Sem procurar submetê-los.
Trabalha sem nada esperar,
Sê um guia e não um mestre,
Eis a Virtude misteriosa.


Notas
  1. Tchi significa o ar vital, o pneuma que circula dentro de todo o ser humano e que o sustenta. A técnica respiratória dos taoistas concentra a respiração suprimindo qualquer agitação exterior para atingir a quietude que se relaciona com a mística. [  ]
  2. Quer a dupla Yin-Yang, quer a boca e as narinas. [  ]

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A Sabedoria e a sua Virtude - 9. Evitar o Excesso



Quem apanha e enche sem cessar,
Faz melhor parar.
Quem usa e afia uma espada sem cessar,
Gasta a lâmina rapidamente.
Quem acumula ouro e jade na sua casa,
Não poderá defender a entrada.
Quem se orgulha das riquezas e das honras,
Oferece as costas às calamidades.
Obra feita, vai-te embora,
Tal é a Sabedoria do Céu.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 8. Não Rivalizar



A pessoa do bem supremo é como a água,
A água que tudo favorece e com nada rivaliza.
Reside nas profundezas desdenhadas de cada um,
Está muito perto da Sabedoria.

Escolhe um terreno bom para a tua morada,
Escolhe o profundo para o teu coração,
Escolhe para com os outros a benevolência,
Escolhe nas palavras a verdade,
Escolhe na política a boa ordem,
Escolhe nos negócios a eficácia,
Escolhe para agir a oportunidade.

Não rivalizes: tu serás irrepreensível.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 7. Não Viver para Si Próprio



O Céu subsiste, a Terra permanece,
O que é que os faz permanecer e subsistir ?
Eles não vivem para eles próprios,
Eis o que os faz subsistir e permanecer.
O Sábio põe o seu corpo atrás,
Colocam-no adiante.
Ele não se preocupa com o seu corpo,
Por isso mesmo o seu corpo mantém-se.
Não é verdade que ele não tem eu próprio ?
Por isso mesmo o seu eu se realiza.


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A Sabedoria e a sua Virtude - 6. Perceber o Subtil



O Espírito do Vale 1 nunca morre,
É o Misterioso Feminino.
A porta do Misterioso Feminino,
É a raiz do Céu e da Terra.
Arrastando-se como uma preguiça a custo existe,
Mas podemos tirar de lá sem que nunca se esgote.


Notas
  1. E do ribeiro que corre nele. [  ]

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A Sabedoria e a sua Virtude - 5. Ficar no Centro



O Céu e a Terra não têm afeições, 1
Para eles tudo é cão de palha. 2
O Sábio também não tem afeições,
Para ele o povo é cão de palha.
O Céu e a Terra são como um sopro,
Vazio e no entanto inesgotável,
Quanto mais se ativa mais sopra.
Bem podemos falar dele mas nada pode sondá-lo,
Mais vale ficar no centro.


Notas
  1. Jen pode significar amor, predileção, ou então a natureza humana. De qualquer forma, é o antropomorfismo que aqui é atacado. [  ]
  2. Levava-se diante dos cortejos funerários cães de palha que tragavam à passagem os espíritos maléficos: «Os cães de palha, antes da oferenda, são guardados em cofres, embrulhados em bela tela, enquanto o representante do defunto e o prior se purificam pela abstinência. Mas, depois da oferenda, eles são lançados ao chão, purificados, queimados, porque se os voltassem a meter no cofre para serem servidos outra vez, cada um dentro da casa seria atormentado por pesadelos» (Tchouang-tzu, capítulo «O Destino do Céu»).[  ]

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Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 5. Ficar no Centro

A Sabedoria e a sua Virtude - 4. A Natureza da Sabedoria



A Sabedoria é como um vaso vazio sem utilidade,
Um abismo de onde todas as coisas se originam.
Ela lima todas as arestas,
Ela desfaz todos os nós,
Ela funde todas as luzes,
Ela unifica todas as poeiras.
Escondida nas profundezas,
Ela parece ser para sempre.
Filha de quem, eu não sei,
A antepassada do Soberano. 1


Notas
  1. Lao Tsé não se pronuncia sobre a origem da Sabedoria, mas fá-la anterior ao Soberano, deus pessoal único das Odes e dos Anais. [  ]

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Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 4. A Natureza da Sabedoria

A Sabedoria e a sua Virtude - 3. Preservar a Paz



Não exaltes as pessoas de mérito,
Deixarão de disputar.
Não faças caso das coisas raras,
Deixarão de cobiçar.
Não exibas o que provoca inveja,
E o povo terá o coração em paz.

Para governar assim, o Sábio:
Esvazia os corações,
Enche os estômagos,
Enfraquece a ambição,
Fortifica os ossos,
Protege o povo do saber e do desejo,
Faz com que os inteligentes não ousem agir,
Pratica o não forçar,
E tudo regressará à ordem.


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Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 3. Preservar a Paz

A Sabedoria e a sua Virtude - 2. Usar a Polaridade



Quando se define o belo aparece o feio,
Quando se define o bom aparece o mau.
Ser e não ser engendram-se,
Fácil e difícil completam-se.
Longo e curto reenviam um para o outro,
Alto e baixo inclinam-se um para o outro.
Voz e som soam juntos,
Antes e depois sucedem-se.
O Sábio governa pelo não forçar,
E ensina com poucas palavras.
Não recusa nada à multidão dos seres,
Mas alimenta-os sem se apropriar.
Realiza sem prevalecer,
Completa sem se prender,
E porque não se prende,
Mantém-se.


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Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 2. Usar a Polaridade

A Sabedoria e a sua Virtude - 1. O Início da Sabedoria



A Sabedoria que se pode enunciar,
Não é a Sabedoria verdadeira.
O nome 1 que a pode nomear,
Não é o Nome verdadeiro.
Sem nome: o Céu e a Terra procedem dela,
Com nome: é a Mãe de todas as coisas.
Esse eterno abismo é a Semente,
Esse eterno ser é a Totalidade.
Dois nomes saídos do Um,
Este dois em um é um mistério.
Mistério dos mistérios,
Porta de todas as maravilhas.


Notas
  1. O texto pode significa quer «o nome que a pode nomear», quer «o nome que pode ser nomeado»; mas, segundo a segunda acepção, a Sabedoria seria susceptível de receber um nome. [  ]

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Início » Textos » A Sabedoria e a sua Virtude » 1. O Início da Sabedoria

Lao Tsé - A Sabedoria e a sua Virtude




Livro da Sabedoria:
  1. O Início da Sabedoria
  2. Usar a Polaridade
  3. Preservar a Paz
  4. A Natureza da Sabedoria
  5. Ficar no Centro
  6. Perceber o Subtil
  7. Não Viver para Si Próprio
  8. Não Rivalizar
  9. Evitar o Excesso
  10. Ser Guia e não Mestre
  11. Usar o Que Não Há
  12. Controlar os Sentidos
  13. Amar o Mundo
  14. Conhecer a Origem
  15. Evitar a Plenitude
  16. Regressar à Raiz
  17. Ser Ignorado
  18. Preservar os Bons Costumes
  19. Regressar à Simplicidade
  20. Abandonar a Vulgaridade
  21. Contemplar o Princípio das Coisas
  22. Ficar Inteiro
  23. Fazer Um com a Sabedoria e a Virtude
  24. Afastar as Presunções Vãs
  25. Seguir os Caminhos da Terra
  26. Ser Pesado e Tranquilo
  27. Seguir a Luz
  28. Ser o Bloco Virgem
  29. Evitar a Extravagância
  30. Ser Resoluto
  31. Evitar a Guerra
  32. Saber Parar
  33. Enfrentar a Morte sem Desfalecer
  34. Esquecer a sua Grandeza
  35. Não Prejudicar
  36. Deixar as Armas na Sombra
  37. Simplicidade sem Desejos
Livro da Virtude:
  1. Rejeitar a Flor e Adotar o Fruto
  2. Não Brilhar nem Fenecer
  3. Regressar
  4. Sustentar e Completar
  5. Buscar a Harmonia
  6. Falar Pouco e Não Forçar
  7. Contentar-se com Pouco e Parar a Tempo
  8. Quietude e Repouso
  9. Contentar-se sem Cessar
  10. Trabalhar sem Forçar
  11. Não Forçar
  12. Conservar o Coração Simples
  13. Não Sobrecarregar
  14. Adorar a Sabedoria e Venerar a Virtude
  15. Cultivar o Constante
  16. Caminhar na Sabedoria
  17. Cultivar a Virtude
  18. Conhecer a Harmonia Perfeita
  19. Saber e Não Falar
  20. Regressar ao Simples
  21. Resplandecer sem Cegar
  22. Despender Avaro
  23. Vigiar o Mundo com Sabedoria
  24. Conquistar Baixando-se
  25. Oferecer a Sabedoria
  26. Crer que Tudo é Difícil
  27. Desejar não Desejar
  28. Regressar à Grande Harmonia
  29. Não Rivalizar com Nada
  30. Ser Misericordioso
  31. Ter a Virtude de Não Rivalizar
  32. Saber Sofrer
  33. Compreender e Praticar
  34. Ver o Conhecimento como Falta de Conhecimento
  35. Amar o Interior
  36. Trabalhar Sem se Esforçar
  37. Não Talhar a Madeira em vez do Carpinteiro
  38. Não Aspirar a Viver Bem Demais
  39. Ser Fraco e Humilde
  40. Dar ao Mundo a Sua Riqueza
  41. Suportar os Males do Reino
  42. Não Ter Preferências Próprias
  43. Contentar-se Com o Que se Tem
  44. Trabalhar Sem Batalhar



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Anfiteatro da Sabedoria Eterna - Frontispício



ANFITEATRO


CRISTIANO- CABALÍSTICO

DIVINO-MÁGICO

FÍSICO-QUÍMICO

TER-TRI-UNO-CATÓLICO


D A   E T E R N A


S A B E D O R I A


Ú N I C A   V E R D A D E I R A


DISPOSTO POR

HENRI   KHUNRATH

DE LEIPZIG


--------------------------------


H A N A U
-------------
1609



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Anfiteatro da Sabedoria Eterna - Oração Teosófica


ORAÇÃO TEOSÓFICA


D O   C R I S T Ã O   P R U D E N T E

À

F O N T E   D A   S A B E D O R I A

C R I S T O,  O  M A I S  P E R F E I T O

D O S  S E R E S

---------------------

Cristo, faz com que eu me torne Sábio,
  Porque só tu és a Sabedoria do Pai
E porque só é Sábio
  Quem é Sábio contigo.
Quem dissipará a obscuridade que me encobre a Luz,
  Afim de que eu conheça a suave via da salvação?
E endereço-me a Ti, porque, para os mortais,
  Tu és, Tu próprio, a Luz
Pela qual todas as coisas criadas viram o dia.
  Dá-me a LUZ DA NATUREZA
Afasta as trevas; que os nossos pensamentos
  Se inspirem no Teu Espírito.
Eu confesso, é verdade, que eu não sou digno
  Duma tal honra; eu sou miserável;
Eu sou acusado, ó Cristo, de grandes crimes.
  Mas no entanto eu tenho confiança
Na efusão do Teu sangue, cuja mais pequena gota
  Apagará as minhas manchas.
Se Tu me dás a Vida, porque portanto
  Não me dás também
Todas as vantagens desta Vida
  Que tu nos ofereces na tua bondade?
Porque não há graças
  Que nós não devíamos receber
Quando, dizes Tu, nós as pedimos
  Ao Pai, em Teu nome.
Eu não procuro o lucro; eu não me esforço
  Por atrair para mim a glória;
Só tu és a minha glória e o meu lucro.
  Mas não me dês
Essas riquezas que são admiradas pelo avaro,
  Porque todas as coisas perecem
E os tesouros do mundo não têm estabilidade.
  Dirige o meu empreendimento;
Enche o meu espírito com os fogos celestes,
  E, pela Tua prudência,
Afasta as sombras perigosas.
  Nada me será obscuro
E eu serei facilmente conduzido
  Nos mistérios da Natureza,
Se Tu próprio, ó Cristo, me mostras a via.
  E eu dar-te-ei graças,
E eu endereçarei para Ti os meus louvores,
  Porque o ser humano não possui nada de melhor
Do que aquilo que ele coloca entre as Teus mãos.



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Anfiteatro da Sabedoria Eterna - Dedicatória 6


É devida unicamente aos filhos da DISCIPLINA e da DOUTRINA,

unicamente aos fiéis e puros herdeiros amados

candidatos à SACRO SANTA SABEDORIA

porque as coisas sagradas não devem ser dadas aos cães, nem as

pérolas lançadas aos porcos, violentamente obcecados pelo diabolismo;

PORQUE NEM TODAS AS COISAS convêm a todos,

mas segundo

QUEM, ONDE, AOS QUAIS, PORQUÊ, COMO

QUANDO e QUANTO

DA ALMA RECONHECIDA, DA REVERÊNCIA,

DA CARIDADE, DA GRATULAÇÃO,

DA ATENÇÃO,

DA ADMIRAÇÃO, DA HONRA DEVIDA,

Portanto

HENRI  KHUNRATH,  DE  LEIPSIG,

fiel amador da TEOSOFIA e

DOUTOR de uma e da outra medicina;

CONSAGRA-O humildemente, DEDICA-O oficiosamente,

OFERECE-O amigavelmente, INTITULA-O dignamente,

LEGA-O religiosamente,

DÁ-O respeitosamente, DISPÕE-NO estudiosamente,

P O R   I A H W E H

que o inspira, que o inflama, o estimula e lho concede

TRI-UM

Douto, Doutor, Inventor e Autor,

NO ANO DE MASCHIACH

enviado segundo a promessa Divina,

M D C I V

------------------

H A L L E L U - I A H !   H A L L E L U - I A H !   H A L L E L U - I A H !

Fi Diabolo!

Três e quatro fi a todos os caluniadores, quais quer que eles sejam, nenhum excluído!

A   I A H W E H

TRI-UM

LOUVOR, HONRA E GLÓRIA.

AMÉM


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Anfiteatro da Sabedoria Eterna - Dedicatória 5



a Agnição, Cognição, União
e Fruição
a Cognição a Cognição
e a Fruição
DE IAHWEH
e de JESUS CRISTO
que ele enviou,
e dos Livros da Sacro Santa Escritura,
Tri-Una.
DA SUA IPSEIDADE PRÓPRIA,
Tri-Una.
DO MUNDO maior,
e do seu Filho, a MAGNÉSIA
dos Filósofos, que ele deu;
um como o outro
Tri-Um.


Quer dizer

que os mostra

pela SOFIA ortodoxa

catolicamente

T O D O S   O S   T R Ê S

como num límpido espelho;

CUJA

A P O C A L Í P T I C A   C H A V E

TRI-UNA

dos mistérios impenetráveis

(visto que o PAI DAS LUZES, abrindo o tesouro

da sua Benignidade divina, liberalmente lhe

concedeu)

dignamente reservada ao poder do autor DESTA OBRA,

pela sua LEI

Tri-una, santa, equitativa e justa

quer dizer

por intermédio

D A   F É,

D O  S I L Ê N C I O  L E G Í T I M O

e

D A S  B O A S  O B R A S

(que dizem respeito pelo menos à alma reconhecida).


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Anfiteatro da Sabedoria Eterna - Dedicatória 4


C R I S T I A N O  -  C A B A L Í S T I C A

D I V I N O  -  M Á G I C A


e também

F Í S I C O  -  Q U Í M I C A

T E R T R I U N A  -  C A T Ó L I C A



Na qual, Teo- e Filo-SOFICAMENTE é ensinada a VERDADEIRA
CIÊNCIA e o seu estudo que é a fonte mais sincera da FILOSOFIA,
a origem natural do INTELECTO, o Poder e a Luz essencial DA
NATUREZA catolicamente difundida no MUNDO e realmente,
sinoticamente, catolicamente existente no seu FILHO que é a
MAGNÉSIA dos Sábios; e também o DIREITO ou a LEI
DE DEUS divinamente escrita nos nossos corações, e
mesmo o método de entender e de interpretar
habilmente e ortodoxamente a BÍBLIA
sagrada; e ainda a CIÊNCIA da árvore
da Vida do Bem e do Mal, e das coisas
honestas e vergonhosas, todas as
coisas que são abundantemente
explicadas;

OBRA, Teórica e Prática, atestando uma autópsia (fi de Momus e de
Zoïle) realmente superior, novamente corrigida, ANFITEATRICAMENTE
provida de QUATRO círculos e de outras FIGURAS hieroglíficas,
artisticamente gravadas sobre cobre, a fim de assinalar e vingar a
causa da VERDADE que, em certos lugares, sofre ao despeito do
pudor de uma violência muito iníqua, que está como que gemendo,
vergando sob o peso das calúnias e quase (ó dor!) sucumbindo,
perto da morte; pela qual também é fornecida aos seres humanos
a ocasião de modo algum condenável de experimentar e de
praticar excelentemente em público certas outras artes e
indústrias, e que, por um devoto movimento da alma, e na
UTILIDADE comum e para a UTILIDADE do mundo
CRISTÃO é enfim, com grande esforço (mas em breve,
se como eu espero, ele for suficientemente perfeito)
enviada,

que ensina, tanto quanto pode e deve, a SABEDORIA VERDADEIRA e
QUANDO, COMO, PORQUÊ, em QUANTO TEMPO, a QUEM,
o QUÊ, ONDE, com a AJUDA DE QUÊ ela é ensinada;
o MAIS ALTO DOS BENS do SER HUMANO,
fecundo tanto na vida futura quanto nesta vida,
dom de DEUS, singular, ter-tri-um,
catolicíssimo, quer dizer:


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